
Confusão na Câmara de Niterói: Fernanda Louback rebate críticas e votação de título para Ludmilla termina em tumulto
Debate sobre cidadania honorária, racismo e apologia ao crime expõe embate entre Fernanda Louback (PL) e Benny Brioli (PSOL)
A sessão da Câmara Municipal de Niterói que aprovou o título de cidadã honorária para a cantora Ludmilla terminou em forte discussão política e acusações públicas entre as vereadoras Fernanda Louback (PL) e Benny Brioli (PSOL).
A proposta, apresentada por Benny Brioli, foi aprovada por 8 votos a 6, mas o placar apertado revelou a divisão ideológica no Legislativo municipal e transformou o plenário em palco de confronto.
O que motivou a polêmica
Parlamentares do PL votaram contra a homenagem alegando que algumas músicas da artista fariam apologia ao crime e ao uso de drogas. Foram citadas canções conhecidas do repertório da cantora, frequentemente alvo de críticas de setores mais conservadores.
Fernanda Louback argumentou que sua posição não era pessoal contra a artista, mas baseada em princípios legais. Ela é autora da chamada “Lei Anti-Oruam”, que proíbe a contratação, com recursos públicos, de shows voltados ao público infantojuvenil que façam apologia ao crime ou às drogas.
Segundo Louback, a apresentação da cantora no réveillon de Niterói, contratada pela prefeitura, teria violado essa legislação municipal. Para a vereadora, conceder o título honorário sem debater esse ponto seria ignorar uma lei já aprovada pela própria Câmara.
“Parece que é crime ser branco no Brasil”, diz Louback
Após a defesa do projeto por Benny Brioli — que associou as críticas à cantora a racismo estrutural e resistência ao crescimento de uma mulher preta e periférica — Fernanda Louback reagiu.
Ela afirmou que sua posição foi distorcida e declarou que “parece que hoje é crime ser branco no Brasil”, argumentando que o debate estava sendo conduzido para um campo racial, quando, segundo ela, deveria se manter no mérito legal da proposta.
Louback também ressaltou a própria origem familiar miscigenada, afirmando que sua crítica não se baseava em raça, mas em coerência legislativa e cumprimento das normas municipais.
Acusações de desrespeito e quebra de decoro
O clima esquentou ainda mais quando parlamentares acusaram Benny Brioli de gravar vídeos durante a fala da colega no plenário. Houve reclamações de quebra de decoro e o tom da discussão subiu.
Em meio à troca de farpas, assessores precisaram se aproximar para evitar que o confronto verbal evoluísse. Diante do tumulto, a sessão foi encerrada antes do previsto.
Debate continua nas redes sociais
Fora do plenário, o embate seguiu nas redes.
Fernanda Louback anunciou que pretende acionar a Comissão de Ética contra Benny Brioli, alegando comportamento incompatível com a postura institucional esperada de uma presidente da Comissão de Direitos Humanos da Casa.
Para Louback, a derrota por 8 a 6 faz parte do processo democrático, mas a democracia também exige respeito e postura durante o debate.
Já Benny Brioli afirmou ter sofrido tentativa de intimidação e classificou o episódio como mais um sinal de resistência contra a representatividade. Segundo ela, a aprovação do título demonstra que a cultura periférica e a diversidade seguem avançando, apesar das críticas.
Mérito e razão: o centro do debate
O episódio escancara dois argumentos distintos:
- De um lado, a defesa da representatividade cultural e do reconhecimento de uma artista de projeção nacional.
- Do outro, a cobrança por coerência legal e respeito às leis municipais já aprovadas.
Independentemente das posições políticas, o caso revela como temas culturais, identidade racial e legislação local estão cada vez mais entrelaçados no debate público.
A aprovação do título para Ludmilla agora é fato consumado. O que permanece em discussão é o limite entre liberdade artística, responsabilidade pública e o papel do Legislativo na mediação desses conflitos.