
Correios à beira do colapso: Tesouro pode ter de injetar R$ 7 bilhões até 2026
Novo presidente tenta resgatar estatal em meio a prejuízos históricos e impasse com a Fazenda
Em meio a uma crise financeira profunda, os Correios estimam que precisarão de um aporte do Tesouro Nacional de R$ 2 bilhões ainda este ano e R$ 5 bilhões em 2026 para equilibrar as contas e honrar empréstimos em negociação com bancos. O prejuízo da estatal no primeiro semestre mais que triplicou, saltando de R$ 1,35 bilhão para R$ 4,37 bilhões em relação ao mesmo período de 2024.
O plano de recuperação ganhou força com a nomeação de Emmanoel Schmidt Rondon para a presidência da empresa, substituindo Fabiano Silva dos Santos, que estava em processo de saída desde julho. Rondon, aprovado pelo Conselho de Administração, terá como prioridade convencer o Ministério da Fazenda da necessidade de injetar recursos na estatal, algo que ainda enfrenta resistência interna.
Integrantes da Fazenda admitem a urgência de aporte, mas temem que a dependência da estatal comprometa o Orçamento da União, que já é apertado, forçando cortes em outras políticas públicas. A equipe econômica defende que a solução sustentável passa por redefinir a obrigação de universalização dos serviços postais, atualmente deficitária, permitindo que outros atores do mercado assumam parte do serviço enquanto os Correios se mantêm como um dos participantes.
A troca de gestão também busca corrigir falhas da equipe anterior, que não conseguiu entregar os resultados esperados e enfrentar o crescente endividamento. Além do prejuízo recorde, a estatal tem atrasos no pagamento de fornecedores, prestadores de serviços e aportes no fundo de pensão, mantendo em dia apenas a folha de pagamento às custas de outras dívidas.
O governo evita nomes ligados ao Centrão, buscando uma direção técnica e independente. Rondon, inicialmente resistente, aceitou assumir a função após apoio da Casa Civil. As diretorias da empresa também serão reformuladas, inclusive no Postal Saúde e Postalis, mantendo apenas duas mulheres à frente: Juliana Picoli Agatte (Governança e Gestão) e Loiane Bezerra de Macedo (Financeiro).
No passado, a gestão de Bolsonaro preparava os Correios para privatização, plano que mudou com Lula. No entanto, a estatal continua acumulando prejuízos e enfrenta desafios estruturais e políticos, entre eles a interferência de sindicatos e o corporativismo local. A expectativa do governo é que a nova liderança técnica consiga implementar medidas de contenção de gastos e reorganização da estatal, dando algum fôlego à empresa que, por dois séculos, foi símbolo da logística nacional.