
Cortina de fumaça em alta voltagem
PSOL fala em “invasão” e soberania enquanto tenta mudar o foco do caos político e econômico
A esquerda, com o PSOL à frente, voltou a recorrer a um roteiro já conhecido: criar uma grande narrativa alarmista para ocupar o noticiário e desviar a atenção de tudo aquilo que anda incomodando o governo Lula. Desta vez, o alvo é o deputado Nikolas Ferreira, acusado de “atentar contra a soberania nacional” por publicar uma montagem satírica nas redes sociais.
O partido acionou a Procuradoria-Geral da República alegando que a imagem — que simula Lula sendo preso por agentes americanos — representaria apoio a uma suposta ingerência estrangeira. Para o PSOL, trata-se de um ataque direto às instituições. Para críticos, mais um episódio de hipersensibilidade seletiva e judicialização da política.
Quando a soberania vira discurso conveniente
O pano de fundo da polêmica é a prisão de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos após a intervenção na Venezuela, fato que reacendeu o embate ideológico no Brasil. A direita explora a histórica proximidade entre Lula e o ditador venezuelano. A esquerda, por sua vez, reage tentando enquadrar qualquer crítica como ameaça à democracia.
O problema é que esse discurso inflamado surge justamente quando o país enfrenta uma sequência de crises difíceis de ignorar. Questionamentos sobre o sistema financeiro, rumores envolvendo grandes instituições bancárias, debates sobre contratos milionários, além da situação delicada de estatais endividadas, empresas públicas acumulando prejuízos e os Correios frequentemente citados como símbolo de má gestão.
Some-se a isso o crescimento da dívida pública, que vem sendo apontado por economistas como um dos maiores desafios fiscais dos últimos anos. Mas nada disso parece ganhar o mesmo entusiasmo da militância quando o assunto é perseguir adversários nas redes e nos tribunais.
Mais narrativa, menos solução
Enquanto problemas reais pressionam a economia e a vida do cidadão comum, parte da esquerda prefere gritar “ataque à soberania” diante de uma montagem na internet. O PSOL fala em democracia, mas age como se humor, crítica política e oposição fossem crimes.
No fim, fica a impressão de que a palavra “invasão” virou apenas mais um instrumento retórico, usado conforme a conveniência do momento. Para muitos brasileiros, isso soa menos como defesa institucional e mais como desespero para manter uma narrativa viva, enquanto o país segue atolado em dificuldades que exigiriam muito mais ação — e muito menos teatro político.