
CPI do Crime Organizado avança e quebra sigilo de empresa ligada a Dias Toffoli
Comissão também convoca banqueiro Daniel Vorcaro e irmãos do ministro do STF para prestar esclarecimentos no Senado
CPI do Crime Organizado aprova quebra de sigilo de empresa associada a Dias Toffoli e convoca Daniel Vorcaro. Banco Master entra no foco das investigações.
A CPI do Crime Organizado deu um passo decisivo nas investigações ao aprovar, nesta quarta-feira (25), a quebra de sigilo da Maridt Participações, empresa da qual o ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, é sócio. A decisão foi tomada durante sessão no Senado que analisou uma série de novos requerimentos apresentados pelo relator do colegiado.
Além da quebra de sigilo da empresa, a comissão determinou a convocação do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e dos irmãos do ministro — José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli — para prestarem depoimento. O objetivo é esclarecer possíveis vínculos financeiros e empresariais que estejam sob o radar da investigação parlamentar.
As iniciativas partiram do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI. Também foram convocados Augusto Ferreira Lima, ex-sócio e ex-executivo do Banco Master, e Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, que permanece como sócio da instituição. A comissão quer compreender o papel de cada um na estrutura do banco e eventuais conexões com práticas ilícitas.
Banco Master no centro da apuração
O Banco Master passou a ocupar posição central na investigação. A CPI solicitou ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras o envio de Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) e aprovou a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da instituição. O período analisado vai de 1º de janeiro de 2022 a 29 de janeiro de 2026.
Segundo os parlamentares, a apuração busca identificar movimentações financeiras atípicas, possíveis mecanismos de ocultação de patrimônio e eventuais vínculos com organizações criminosas. Também foi requisitado um relatório específico sobre a transferência de sigilos da empresa CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários para a Reag, citada em investigações relacionadas a supostas fraudes envolvendo o Banco Master.
Novos pedidos e ampliação das investigações
A CPI avançou ainda na análise de deslocamentos aéreos relacionados ao caso. Foi encaminhado pedido à Anac para identificar passageiros com acesso às áreas restritas de embarque nos aeroportos de Brasília, Congonhas e Guarulhos ao longo de 2025, especialmente nos 90 minutos que antecederam decolagens de aeronaves sob investigação.
O colegiado também aprovou a convocação de nomes de peso do cenário econômico e político, como Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, e Paulo Guedes, ex-ministro da Economia. Outros ministros e autoridades foram convidados a prestar esclarecimentos, ampliando o alcance da apuração.
Com a quebra de sigilos e as novas convocações, a CPI do Crime Organizado entra em uma fase mais aprofundada, sinalizando que o Congresso pretende ir além das suspeitas iniciais para mapear, com detalhes, possíveis esquemas financeiros e responsabilidades individuais.