CPI do INSS ouve advogada que diz ter alertado Carlos Lupi sobre fraudes e omissão

CPI do INSS ouve advogada que diz ter alertado Carlos Lupi sobre fraudes e omissão

Tônia Galleti afirma que avisou o então ministro da Previdência sobre descontos indevidos em aposentadorias; comissão também escuta ex-presidente de associação investigada por esquema bilionário

A CPI do INSS retoma nesta segunda-feira (20) as oitivas com o depoimento da advogada Tônia Galleti, ex-membro do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS). Ela afirma ter alertado pessoalmente o ex-ministro Carlos Lupi sobre fraudes que vinham prejudicando aposentados desde o início de sua gestão, em janeiro de 2023.

Segundo Tônia, o aviso foi feito durante uma reunião em Brasília, na presença de assessores do ministro. Lupi teria prometido investigar as denúncias, mas — segundo a advogada — nenhuma providência foi tomada.

O senador Izalci Lucas (PL-DF), autor do requerimento que levou à convocação de Tônia, destacou que ela “tentou formalmente trazer à pauta a multiplicação das fraudes e a necessidade de uma regulamentação mais rígida dos Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) firmados com sindicatos e associações”.

Para Izalci, o depoimento é essencial para entender “em que momento as autoridades da Previdência tomaram ciência dos fatos e como a inércia institucional permitiu a continuidade de um ambiente favorável às irregularidades”.

Na mesma sessão, a CPI também ouvirá Felipe Macedo Gomes, ex-presidente da associação Amar Brasil, apontada como uma das entidades envolvidas no esquema bilionário de fraudes que atingiu milhares de aposentados.

De acordo com a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que pediu a convocação de Gomes, a Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, revelou “um sofisticado esquema criminoso” que envolvia entidades de classe, servidores públicos e lobistas. Entre as práticas descobertas estão o uso de biometria paralela e a captura ilegal de dados pessoais dos beneficiários, o que possibilitou descontos indevidos em benefícios previdenciários.

A CPI busca, agora, identificar responsabilidades e falhas na fiscalização que permitiram a continuidade das fraudes — um problema que, segundo os parlamentares, drenou bilhões de reais dos bolsos dos aposentados brasileiros.

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