CPMI do INSS mira Lulinha e promete sessão de tensão em Brasília

CPMI do INSS mira Lulinha e promete sessão de tensão em Brasília

Convocação do filho de Lula entra na pauta após novas suspeitas sobre ligações com operadores do esquema de descontos ilegais

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) promete um dos momentos mais explosivos desde que foi instalada. O presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), anunciou que a convocação de Fábio Luís Lula da Silva — o Lulinha — será colocada em votação na sessão desta quinta-feira (4/12). O pedido é de autoria do deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS).

A solicitação foi protocolada nesta terça-feira (2/12) e sustenta que pode haver vínculos entre Lulinha e operadores do esquema de descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas. O requerimento menciona movimentações financeiras que conectariam a empresa ADS Soluções — tida pelas investigações como o centro da chamada “Farra do INSS” — ao coordenador nacional de TI do PT, Ricardo Bimbo, e ao contador de Lulinha, João Muniz Leite.

O documento destaca que o contador de Lulinha recebeu pagamentos de Bimbo no mesmo período em que a ADS repassou milhões à Datacore, empresa ligada ao dirigente petista. A suspeita é de que essas operações possam ter transitado, direta ou indiretamente, pela estrutura financeira do filho do presidente.

A origem do escândalo

O rombo no INSS veio à tona após uma série de reportagens do Metrópoles, que revelou como associações passaram a faturar milhões por meio de descontos não autorizados em benefícios previdenciários. Em apenas um ano, a arrecadação dessas entidades disparou para R$ 2 bilhões, enquanto pipocavam processos por fraudes nas filiações.

As denúncias alimentaram investigações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União, culminando na Operação Sem Desconto, em abril deste ano, que derrubou tanto o presidente do INSS quanto o então ministro da Previdência, Carlos Lupi.

Lulinha não é investigado — mas terá que se explicar

Apesar de Fábio Luís não ser alvo formal de investigação, os autores do pedido alegam que ele precisa esclarecer se tinha ciência das ligações entre seu contador, dirigentes petistas e empresas envolvidas no esquema.

Nas redes sociais, Carlos Viana prometeu que cada requerimento será votado separadamente, deixando registrado como cada parlamentar se posicionou.
“Transparência total”, escreveu ele. “Quem não deve, não teme. O Brasil quer respostas.”

A sessão desta quinta promete ser acompanhada de perto — tanto pelos corredores do Congresso quanto pelo público que acompanha cada reviravolta desse caso que já derrubou autoridades e segue provocando desgaste político no Planalto.

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