
CPMI do INSS reage e exige Vorcaro cara a cara em Brasília
Presidente da comissão rejeita “depoimento sob medida”, critica manobras judiciais e cobra respostas públicas do banqueiro investigado
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS endureceu o tom e deixou claro que não aceitará acordos confortáveis nem depoimentos controlados. O presidente da comissão, o senador Carlos Viana, afirmou que o colegiado não abre mão de ouvir Daniel Vorcaro presencialmente, em Brasília, e de forma pública — como exige a gravidade do escândalo investigado.
A reação veio após Vorcaro, dono do Banco Master, obter um habeas corpus concedido pelo ministro André Mendonça, que o desobrigou de comparecer à CPMI na data marcada. Para Viana, a decisão representa mais um obstáculo imposto às investigações e um desrespeito ao papel fiscalizador do Parlamento.
“Não aceito reunião fechada, em São Paulo, com meia dúzia de parlamentares. Isso não existe. Quem é chamado por esta comissão tem o dever de vir, sentar e responder ao país”, afirmou o senador, em tom duro. Segundo ele, a tentativa de transformar o depoimento em algo reservado ou remoto soa como fuga do escrutínio público.
A defesa de Vorcaro chegou a sugerir alternativas consideradas inaceitáveis pela comissão: um depoimento fechado em São Paulo, uma oitiva por videoconferência ou uma ida a Brasília apenas na semana seguinte. Para os membros da CPMI, as propostas reforçam a sensação de que o banqueiro tenta impor condições, algo visto com repúdio pelos parlamentares.
O relator da CPMI, o deputado Alfredo Gaspar, foi ainda mais direto ao criticar o que chamou de “depoimento marmita, do jeito que o cliente quer”. Para ele, aceitar esse tipo de arranjo seria esvaziar a comissão e passar à sociedade a imagem de conivência.
Outro ponto que gerou indignação foi a discussão sobre custos. Carlos Viana deixou claro que qualquer deslocamento de Vorcaro deve ser pago pelo próprio banqueiro. O uso de avião da Polícia Federal foi descartado, já que poderia custar entre R$ 150 mil e R$ 200 mil aos cofres públicos — valor considerado inaceitável em um caso que investiga prejuízos bilionários aos aposentados.
Além disso, a CPMI ainda aguarda a entrega dos documentos sigilosos liberados por decisão do STF. Segundo Viana, o material já está com a Polícia Federal, mas ainda não foi repassado à comissão. Quando chegar, ficará guardado em sala-cofre do Senado, com acesso restrito, sem celulares ou equipamentos eletrônicos.
O clima entre os parlamentares é de crescente insatisfação. Para integrantes da CPMI, a sucessão de recursos, habeas corpus e tentativas de negociação privada reforça a percepção de que há esforços para blindar Vorcaro do confronto direto com o Legislativo.
Em meio a um escândalo que envolve fraudes, prejuízos bilionários e milhares de aposentados lesados, a comissão sustenta que não haverá atalhos. A mensagem é clara: quem é citado nas investigações precisa falar em público, sob os olhos do país — sem privilégios, sem acordos de bastidor e sem escapar da responsabilidade.