CPMI fecha os olhos: Lulinha fora, constrangimento dentro

CPMI fecha os olhos: Lulinha fora, constrangimento dentro

Comissão rejeita convocação do filho do presidente e acirra suspeitas sobre esquema milionário ligado ao INSS

A CPMI do INSS decidiu, nesta quinta-feira (4/12), fazer vista grossa. Por 19 votos a 12, o colegiado barrou a convocação de Fábio Luís Lula da Silva — o famoso Lulinha — ignorando o turbilhão de denúncias que envolve seu nome em supostos repasses ligados a desvios no instituto.

O pedido, apresentado pelo deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS), citava o depoimento do lobista Eli Cohen, que afirmou que o contador de Lulinha teria recebido valores relacionados ao esquema fraudulento. Mas, entre discursos inflamados e manobras sorrateiras, a maioria da comissão preferiu manter tudo do lado de fora da porta.

A bomba que estourou na semana: “mesada” de R$ 300 mil

O clima ficou ainda mais pesado após vir à tona o depoimento de uma testemunha à Polícia Federal. Segundo ela, o próprio filho do presidente Lula receberia uma mesada de cerca de R$ 300 mil de Antônio Carlos Camilo Antunes, o famoso “Careca do INSS”, apontado como articulador do esquema de desvios em benefícios previdenciários.

A testemunha, que afirmou ter trabalhado para Antunes e ser perseguida por ele, descreveu um rombo organizado e silencioso, enquanto aposentados eram lesados sem sequer perceber. O relato já está nas mãos da CPMI — mas, ao que tudo indica, alguns parlamentares preferem tapar os ouvidos.

Convoca quem interessa, barra quem incomoda

Na mesma sessão, a comissão aprovou:

  • a convocação do governador de Minas, Romeu Zema (Novo);
  • e do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, além de quebra de sigilos.

Por outro lado, pedidos para ouvir dirigentes de grandes bancos — como C6, Santander e Leila Pereira, presidente do Crefisa e do Palmeiras — foram convenientemente rejeitados.

Quando o assunto envolve gente poderosa, o filtro parece ficar mais fino que peneira de garimpeiro.

Reta final (ou quase isso)

Esta é a última reunião da CPMI em 2025. O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), já sinalizou que pedirá uma prorrogação de 60 dias, empurrando a conclusão para além do prazo previsto — porque, aparentemente, quando o tema é INSS, tudo anda devagar… exceto o dinheiro.

Com a blindagem explícita e as versões cada vez mais contraditórias, uma coisa fica clara:
a CPMI pode até tentar, mas não há maquiagem que esconda o cheiro do que está sendo varrido para debaixo do tapete.

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