
Crise no STF se intensifica com caso Banco Master e mobiliza presidente da Corte
Edson Fachin procura Moraes, Toffoli e outros ministros para tentar conter desgaste institucional após revelações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro
O Supremo Tribunal Federal voltou ao centro de uma nova turbulência política e institucional. Desta vez, o foco é o chamado caso envolvendo o Banco Master, que tem gerado desconforto dentro da própria Corte e ampliado a pressão pública sobre alguns ministros.
Diante da repercussão do episódio, o presidente do tribunal, Edson Fachin, iniciou uma série de conversas reservadas com integrantes do Supremo para tentar diminuir o impacto da crise e evitar um desgaste ainda maior da imagem da instituição.
Nos bastidores, Fachin tem procurado dialogar com diversos colegas, entre eles Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e também o ministro André Mendonça, relator de processos ligados ao caso. Segundo informações de Brasília, as reuniões têm se tornado mais frequentes nos últimos dias, algumas inclusive ocorrendo em fins de semana.
O que desencadeou a crise
A tensão começou a crescer após a Polícia Federal analisar o celular do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A perícia encontrou mensagens e registros que mencionariam autoridades e pessoas ligadas ao ambiente do Supremo.
Parte desse material acabou vazando para a imprensa, gerando grande repercussão. Entre os registros, haveria referências ao ministro Alexandre de Moraes e a pessoas de seu círculo próximo. De acordo com reportagens, algumas mensagens teriam sido enviadas pouco antes da primeira prisão de Vorcaro, em novembro de 2025.
Outro ponto que aumentou a repercussão foi a confirmação de que o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, liderado pela advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, manteve contrato de consultoria jurídica com o Banco Master entre 2024 e 2025.
Caso também atinge Toffoli
A investigação também acabou citando o ministro Dias Toffoli. Segundo informações levantadas pela Polícia Federal, haveria referências a uma negociação envolvendo uma empresa ligada à família do ministro que vendeu participação no resort Resort Tayayá a fundos associados ao Banco Master.
Após a descoberta de mensagens mencionando seu nome no celular de Vorcaro, Toffoli decidiu se afastar da relatoria dos processos relacionados ao banco. Inicialmente, o ministro resistiu à ideia, mas acabou cedendo diante da pressão interna para evitar um agravamento da crise dentro do tribunal.
Ministros negam irregularidades
Tanto Alexandre de Moraes quanto Dias Toffoli negam qualquer ligação com o empresário Daniel Vorcaro.
O gabinete de Moraes afirmou que as mensagens encontradas no celular do banqueiro não foram enviadas diretamente ao ministro e que os registros estavam associados a outras pastas de contatos no dispositivo analisado pelos investigadores.
Já o escritório da advogada Viviane Barci declarou que o contrato com o Banco Master foi formal e restrito a atividades de consultoria jurídica, sem qualquer atuação em processos no STF.
No caso de Toffoli, o ministro afirmou que a empresa que participou da negociação envolvendo o resort é administrada por familiares e que ele não participa da gestão nem das decisões comerciais do empreendimento.
Tentativa de conter o desgaste
Mesmo com as negativas, o episódio provocou forte repercussão política e institucional. Nos bastidores, a avaliação é que a situação ameaça aumentar ainda mais o nível de tensão entre o Judiciário e setores do Congresso e da sociedade.
É nesse cenário delicado que Edson Fachin tenta agir como uma espécie de mediador interno, buscando diálogo entre os ministros e tentando evitar que a crise se transforme em um abalo ainda maior para a credibilidade da Suprema Corte.
Enquanto isso, o caso Banco Master continua sendo investigado e deve permanecer no centro das discussões políticas e jurídicas nas próximas semanas.