
Cúpula do Congresso se Afasta de Ato do 8 de Janeiro
Ausência de Motta e Alcolumbre ocorre em meio à tensão sobre possível veto de Lula a projeto que reduz penas
Pelo terceiro ano consecutivo, a lembrança institucional dos atos de 8 de janeiro acontece sem a presença dos presidentes da Câmara dos Deputados. Em 2026, porém, o esvaziamento político será ainda maior: além da Câmara, o Senado também ficará oficialmente de fora da cerimônia organizada pelo governo federal.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já avisou que não comparecerá ao evento marcado para esta quinta-feira (8), no Palácio do Planalto. A decisão mantém a linha adotada por seu antecessor, Arthur Lira (PP-AL), que igualmente se ausentou das cerimônias realizadas em 2024 e 2025. A novidade deste ano é a ausência também do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
O distanciamento das cúpulas do Congresso ocorre em um momento politicamente sensível. Há expectativa de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vete o projeto aprovado pelo Parlamento que prevê a redução das penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 — tema que segue dividindo Executivo, Legislativo e opinião pública.
Diferentemente do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal, o Congresso Nacional optou, mais uma vez, por não organizar nenhum evento próprio para marcar a data. O único registro de participação institucional mais expressiva ocorreu em 2024, quando o então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), compareceu a uma cerimônia no Salão Negro do Congresso. Arthur Lira, à época presidente da Câmara, chegou a ser esperado, mas não apareceu, alegando problemas familiares de saúde.
No ano seguinte, em 2025, o evento foi transferido para o Planalto. Lira novamente se ausentou, assim como Pacheco. O Senado acabou sendo representado apenas pelo vice-presidente da Casa, Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB).
Agora, em 2026, a ausência conjunta de Hugo Motta e Davi Alcolumbre reforça o afastamento institucional do Congresso em relação às cerimônias do 8 de janeiro — um gesto que, embora silencioso, carrega peso político em um cenário marcado por disputas sobre memória, punição e reconciliação.