Da realeza ao constrangimento: príncipe Andrew deixou rastro de polêmicas no Brasil antes de cair nas mãos da polícia

Da realeza ao constrangimento: príncipe Andrew deixou rastro de polêmicas no Brasil antes de cair nas mãos da polícia

Detido na Inglaterra por suspeita ligada ao caso Epstein, ex-duque passou pelo Brasil, encontrou Lula, destratou anfitriões, desprezou músicos e saiu deixando mal-estar por onde passou

A queda de Príncipe Andrew, hoje detido na Inglaterra sob suspeita de má conduta em cargo público ligada ao escândalo Jeffrey Epstein, faz ressurgir episódios antigos que ajudam a explicar por que seu nome sempre esteve cercado de controvérsia. Um deles aconteceu longe dos palácios britânicos: no Brasil.

Em 2007, Andrew desembarcou no país como representante especial do Reino Unido para Comércio Internacional e Investimentos. A agenda incluiu encontros oficiais, visitas a empresas e até uma reunião com o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas, longe da formalidade diplomática, o comportamento do príncipe deixou marcas negativas — especialmente em São Paulo.

O episódio ganhou contornos ainda mais constrangedores anos depois, quando foi relatado na biografia Entitled: The Rise and Fall of the House of York, que pinta um retrato nada lisonjeiro do filho da rainha Elizabeth II. Segundo a obra, Andrew protagonizou cenas de arrogância explícita durante a inauguração do Cultura Inglesa Festival, em Pinheiros.

Logo na chegada, ignorou solenemente a anfitriã do evento, Norinka Ford. Não cumprimentou, não sorriu, não disfarçou o desdém. Sentou-se como quem faz um favor, criando um clima pesado e desconfortável entre convidados e organizadores.

A situação piorou quando a banda Os Britos subiu ao palco para tocar clássicos dos The Beatles. Em vez de diplomacia, Andrew optou pelo desprezo: teria sido descrito como “rude e cruel” ao afirmar que o grupo deveria se limitar a tocar música brasileira. Um comentário atravessado, desnecessário e carregado de arrogância colonial.

Como se não bastasse, o príncipe deixou o evento abruptamente, sem se despedir de ninguém. Levantou-se, virou as costas e saiu, obrigando sua equipe, seguranças e até o embaixador britânico a correr atrás para improvisar uma saída minimamente organizada. Coube à anfitriã tentar conter o constrangimento geral.

O livro relata ainda que esse tipo de atitude era recorrente: quando algo não lhe interessava, Andrew simplesmente ignorava as pessoas ao redor, pouco se importando com o impacto de sua grosseria. O retrato é reforçado por adjetivos usados por fontes próximas: “arrogante”, “mimado”, “preguiçoso” e até “limitado”.

Apesar do comportamento, a visita seguiu com compromissos oficiais. Andrew conheceu instalações industriais em Niterói, visitou unidades da Petrobras em Macaé e se reuniu com empresários britânicos — tudo isso a convite do governo brasileiro da época.

Agora, quase duas décadas depois, aquele episódio volta à tona em meio a um escândalo muito mais grave. Preso na propriedade de Wood Farm, em Sandringham, no condado de Norfolk, Andrew foi detido em uma operação discreta, com agentes à paisana e carros descaracterizados. A investigação corre sob sigilo, mas o peso simbólico é inegável.

O que antes parecia apenas arrogância diplomática hoje soa como mais um sinal de um personagem acostumado a não prestar contas, a desprezar limites e a tratar os outros com superioridade. O verniz da realeza caiu — e o que sobra é um histórico difícil de defender.

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