
“Débora do Batom x Moraes: a novela continua — agora com pedido de ‘bate-volta’ para Brasília”
“Condenada pelo 8 de Janeiro, ela quer falar na Câmara; juiz do caso é o mesmo que mal deixa trocar o raio da tornozeleira — mas vale tentar”
Débora Rodrigues, a famosa “Débora do Batom”, condenada pelos atos de 8 de Janeiro, resolveu dar mais um capítulo à sua saga judicial. Seus advogados encaminharam ao ministro Alexandre de Moraes um pedido de autorização para que ela possa viajar até Brasília e participar de uma audiência sobre o próprio 8/1 na Câmara dos Deputados.
O convite veio do deputado Coronel Meira (PL-PE), que quer ouvi-la pessoalmente. A defesa argumenta que a convocação é legítima e reforça aquilo que qualquer brasileiro já percebeu: os réus do 8 de Janeiro têm sido tratados como párias políticos, vivendo uma rotina que mistura punição exemplar, vigilância constante e um clima de tensão que transborda até dentro dos presídios.
Os advogados ainda puxaram um caso clássico para reforçar o pedido: em 2001, até Fernandinho Beira-Mar conseguiu autorização judicial para comparecer à Câmara. Se um dos maiores líderes do crime organizado pôde, por que uma cabeleireira — por mais polêmica que seja — não poderia?
No documento enviado ao STF, a defesa repete o óbvio que muitos fingem esquecer:
direitos humanos não são brinde ideológico, mas algo válido para qualquer pessoa, independentemente de gosto político ou cor do batom usado para pichar estátuas.
A comissão que ela quer visitar trata exatamente dos presos do 8 de Janeiro. A ideia é simples: sair de Paulínia (SP) no dia 10, falar na Câmara, e voltar no dia 11. Um “bate-volta institucional”.
Mas o entrave tem nome e sobrenome: Alexandre de Moraes, o mesmo ministro que a condenou, controla sua tornozeleira, decide onde ela pode pisar e, recentemente, recebeu relatório apontando que Débora violou a área permitida ao ir para o hospital tratar uma infecção urinária.
Segundo o documento, ela deixou a zona autorizada na noite do dia 3/11 e só retornou de madrugada, no dia seguinte. Mesmo passando mal, isso vira mais um item na lista de “infrações”.
Débora, que ganhou notoriedade ao escrever o famoso “Perdeu, mané” na estátua da Justiça, coleciona acusações pesadas:
- Abolição violenta do Estado Democrático de Direito
- Tentativa de golpe de Estado
- Dano qualificado
- Deterioração de patrimônio tombado
- Associação criminosa armada
Agora, tenta ao menos exercer o direito básico de se defender e ser ouvida onde a própria política pediu sua presença.
Se vai conseguir?
Bem… todos sabemos que em processos do 8/1, a porta da liberdade é pequena — e a caneta de Moraes é bem pesada.
Mas, do jeito que essa história anda, pelo menos entretenimento político não falta no Brasil.