Declaração de Lewandowski sobre armas causa revolta após assassinato de ex-delegado

Declaração de Lewandowski sobre armas causa revolta após assassinato de ex-delegado

Ministro da Justiça responsabiliza CACs e políticas do passado, enquanto crime organizado segue agindo impunemente

Em meio à dor e indignação pelo brutal assassinato do ex-delegado-geral de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, preferiu mirar suas críticas não diretamente no crime organizado, mas na proliferação de armas de uso restrito e na política que, segundo ele, facilitou o acesso de atiradores, caçadores e colecionadores (CACs).

A fala soou como um desvio de foco em um momento que exige firmeza contra facções criminosas, não a criminalização de cidadãos de bem. Em vez de reconhecer o histórico de ameaças do PCC contra Fontes — declarado inimigo da facção desde a prisão de Marcola em 2006 —, Lewandowski apontou para as armas em circulação, afirmando que muitas acabam nas mãos do crime.

A postura gerou repúdio porque transmite a sensação de que o governo prefere culpar políticas passadas e atiradores esportivos do que enfrentar de frente o poderio das facções. “Esse assassinato mostra o nível de violência que graça no Brasil”, declarou o ministro, oferecendo ajuda federal a São Paulo, mas sem assumir a gravidade da falha estatal diante do avanço do crime organizado.

Enquanto familiares, colegas e policiais enterram um delegado que dedicou a vida a combater a criminalidade, a declaração de Lewandowski ecoa como uma tentativa de terceirizar responsabilidades — quando o que se espera é ação firme contra os verdadeiros executores e mandantes do crime.

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