Defesa de Bolsonaro usa voto de Fux para tentar reduzir pena no STF

Defesa de Bolsonaro usa voto de Fux para tentar reduzir pena no STF

Advogados citam seis vezes divergência do ministro para apontar falhas no acórdão que condenou ex-presidente

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou nesta segunda-feira (27/10) embargos de declaração contra a decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que o condenou por crimes contra a democracia. O recurso, com 85 páginas, cita seis vezes o voto divergente do ministro Luiz Fux como base para pedir a revisão da pena.

No julgamento que envolveu outros sete réus do chamado “núcleo crucial” da trama golpista, Fux votou pela absolvição de Bolsonaro de todas as acusações da Procuradoria-Geral da República (PGR), argumentando que não houve início de “atos executórios que configurassem tentativa de golpe de Estado”.

Os advogados do ex-presidente afirmam que o voto de Fux evidencia omissões no acórdão que formou maioria pela condenação. Para eles, o ministro mostrou que as supostas ilegalidades apontadas não se confundem com questões já analisadas quando a denúncia foi recebida.

No recurso, os defensores destacam trecho do voto de Fux:

“Quisesse o réu Jair Bolsonaro prosseguir no iter criminis em direção a um autogolpe, não precisaria convencer os comandantes das Forças Armadas a apoiá-lo, pois a substituição destes é prerrogativa do presidente da República. Qualquer início de ato executório envolvendo o emprego das Forças Armadas dependeria necessariamente da edição de um decreto formal pelo presidente da República.”

A defesa sustenta que, com base nesse entendimento, Bolsonaro teria interrompido voluntariamente qualquer possível execução, configurando desistência voluntária prevista no Código Penal.

“Ao não enfrentar tais fundamentos, o acórdão incorre em omissão relevante e qualificada, violando o dever constitucional de motivação. Diante disso, requer-se o reconhecimento da omissão para que o acórdão se manifeste expressamente sobre a aplicabilidade do artigo 15 do Código Penal”, afirmam os advogados.

Bolsonaro foi condenado em 11 de setembro, por 4 votos a 1, pela Primeira Turma do STF. Foi a primeira vez na história que um ex-presidente da República recebeu condenação por crimes contra a democracia.

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