
Delegado que indiciou Bolsonaro ganha cargo no gabinete de Moraes e levanta críticas sobre atuação política no STF
Nomeação de investigador da Polícia Federal que atuou diretamente em casos relatados por Alexandre de Moraes reacende debate sobre imparcialidade e proximidade entre magistrado e investigadores.
Delegado que investigou Bolsonaro passa a trabalhar diretamente com Moraes
Uma decisão recente dentro do Supremo Tribunal Federal voltou a provocar debate sobre a atuação do ministro Alexandre de Moraes. O delegado da Polícia Federal do Brasil Fábio Alvarez Shor, que conduziu investigações que levaram ao indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi nomeado para trabalhar como assessor no gabinete do próprio ministro.
A nomeação foi oficializada por meio de uma portaria assinada pelo presidente do STF, o ministro Edson Fachin, e publicada no Diário Oficial da União.
Nos bastidores de Brasília, a movimentação gerou questionamentos sobre a proximidade entre investigadores e o magistrado responsável por julgar processos relacionados às mesmas investigações.
Investigador atuou em inquéritos sensíveis ligados ao STF
Antes de assumir o novo cargo no Supremo, Shor ocupava uma posição estratégica dentro da Polícia Federal. Ele trabalhava na coordenação da área de Contrainteligência, liderando uma divisão responsável por apurações sensíveis.
Durante esse período, o delegado participou diretamente de diversos inquéritos ligados aos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023, episódios investigados e relatados no STF por Alexandre de Moraes.
Essa atuação frequente em processos conduzidos pelo ministro acabou criando uma relação profissional próxima entre investigador e magistrado, segundo relatos de agentes da própria Polícia Federal.
Delegado foi responsável por indiciar Bolsonaro
Foi justamente durante essas investigações que Shor tomou uma das decisões mais polêmicas de sua carreira.
Em novembro de 2024, ele concluiu o relatório policial que apontava Bolsonaro como suposto líder de uma trama golpista, decisão que resultou no indiciamento do ex-presidente.
A medida provocou forte reação entre apoiadores de Bolsonaro e figuras do campo conservador, que passaram a criticar o trabalho do delegado.
Entre os críticos mais duros está o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, que chegou a fazer críticas públicas ao investigador enquanto estava nos Estados Unidos.
Críticas apontam possível conflito entre investigação e julgamento
A transferência do delegado para o gabinete de Moraes foi feita a pedido do próprio ministro, segundo informações divulgadas oficialmente.
Para críticos da decisão, essa movimentação levanta um debate delicado: um investigador que atuou diretamente na produção de provas em processos sensíveis agora passa a integrar a equipe do magistrado responsável por julgá-los.
Na visão de opositores, a situação reforça a percepção de que o Supremo tem assumido um papel cada vez mais político no cenário brasileiro, especialmente em processos envolvendo adversários do atual sistema de poder.
Analistas apontam que, em democracias consolidadas, a separação entre investigação policial e julgamento judicial costuma ser tratada com extremo cuidado, justamente para evitar qualquer sombra de parcialidade.
Debate sobre o papel do STF volta ao centro da política
A nomeação ocorre em um momento em que o STF já enfrenta críticas sobre sua influência no cenário político nacional.
Nos últimos anos, decisões de ministros da Corte — especialmente de Alexandre de Moraes — passaram a ter impacto direto sobre disputas eleitorais, investigações criminais e embates entre Poderes.
Para parte da oposição, episódios como esse reforçam a necessidade de discutir limites institucionais e transparência no funcionamento do Judiciário, principalmente quando investigações policiais acabam se conectando diretamente com gabinetes de ministros da Suprema Corte.
Enquanto isso, dentro de Brasília, o episódio amplia mais um capítulo da tensão política que envolve o STF, o governo e a oposição.