
Demissão de ministra acende críticas bolsonaristas: “Governo Lula é um festival de crises”
Planalto após saída de Cida Gonçalves, está cobrando investigações e acusando o governo de hipocrisia e omissão diante das denúncias contra a ex-ministra.
Parlamentares ligados ao bolsonarismo aproveitaram a demissão de Cida Gonçalves do Ministério das Mulheres para reforçar críticas ao governo Lula e apontar o que chamam de falta de transparência e coerência na gestão petista. A exoneração ocorreu nesta segunda-feira (5), após a ministra enfrentar uma série de críticas internas e externas, além de acusações graves envolvendo assédio moral e racismo.
A deputada Caroline de Toni (PL-SP) classificou a saída como “mais um escândalo” na conta do presidente. “Estamos diante do governo mais desgovernado de todos: escândalos, assédio, irregularidades e, principalmente, hipocrisia”, escreveu em sua conta no X (antigo Twitter). Ela ainda cobrou apuração rigorosa e criticou o arquivamento, em fevereiro, de um processo na Comissão de Ética da Presidência que mencionava possível tentativa de compra de apoio político por parte de Cida.
Eduardo Bolsonaro (PL-SP), em tom irônico, afirmou que ao repertório de “roubos e mentiras” atribuídos aos petistas deveria se somar o assédio. “É o governo do amor, só que não”, disparou.
Outro a se manifestar foi Nikolas Ferreira (PL-MG), que resgatou momentos de embate com Cida durante audiências públicas e mencionou denúncias feitas por ex-funcionárias da pasta. “Ela não conseguiu responder nem ao básico. Que a nova gestão comece por aí”, afirmou o deputado, em referência à nova ministra Márcia Lopes.
Márcia, que assume a pasta, tem histórico de atuação no governo Lula: já foi secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Social e chefiou a mesma pasta por breve período em 2010. Ela também é irmã de Gilberto Carvalho, figura próxima ao presidente.
O episódio amplia o desgaste do Planalto e fornece munição política à oposição, num momento em que o governo tenta estancar crises e manter sua base minimamente unida no Congresso.