
Demitida por pensar diferente: onde foi parar a liberdade de expressão?
Sabrina Góis, presidente interina do Serviço Geológico Brasileiro, foi exonerada após virem à tona prints antigos criticando Lula e fotos ao lado de Michelle Bolsonaro. A “democracia plural” parece ter limite — o da conveniência política.
A cena é conhecida: alguém posta uma opinião há anos, o tempo passa, o contexto muda — e, de repente, aquela velha publicação vira sentença. Foi o que aconteceu com Sabrina Góis, presidente interina do Serviço Geológico Brasileiro (SGB), estatal ligada ao Ministério de Minas e Energia, que acabou demitida após o vazamento de prints antigos comemorando a prisão de Lula em 2018 e fotos ao lado de Michelle Bolsonaro.
Sabrina havia assumido o cargo em outubro, substituindo um gestor que caiu por irregularidades no uso de dinheiro público. Nada de escândalo, nada de desvio: sua “culpa” foi ter tido uma opinião política. E, num governo que se diz defensor da democracia, isso parece imperdoável.
🔥 A queda da “inconveniente”
A exoneração foi confirmada nesta terça (12) pelo Conselho de Administração do SGB, que preferiu agir rápido — como se prints de 2018 fossem crime de lesa-pátria. O comunicado foi formal, técnico, frio: dizia apenas que Sabrina deixava os cargos que ocupava interinamente.
A ironia? Enquanto a executiva perdia o emprego por opiniões pessoais, seu antecessor — aquele flagrado gastando dinheiro público com camarões flambados e suítes de luxo para os filhos — apenas “devolveu o valor” e saiu de cena sem barulho.
Dois pesos, duas medidas.
🤔 E as vozes da esquerda?
Difícil não notar o silêncio ensurdecedor dos que, até outro dia, gritavam por liberdade de expressão, por “respeito às diferenças”, por “tolerância democrática”. Quando o cancelamento vem do outro lado, parece que o discurso muda de endereço.
Onde estão os defensores da diversidade de pensamento agora?
💬 Um país que desaprende o diálogo
Sabrina Góis não foi acusada de corrupção, nem de incompetência. Caiu por ter “o print errado”. E isso diz muito sobre o momento do Brasil — um país em que o passado nas redes sociais virou ferramenta de censura seletiva.
Liberdade de expressão não é bandeira que se levanta apenas quando convém. É princípio. E, quando um governo começa a decidir quem pode ou não pensar diferente, o problema deixa de ser ideológico: passa a ser moral.