
“Democracia Made in USA”: Lula reage à expulsão de ministros do STF como se fosse coisa de outro planeta
Presidente critica atitude de Trump e diz que revogar vistos de ministros do STF “fere a soberania” — como se os EUA estivessem obrigados a aturar Moraes e cia com tapete vermelho
Num daqueles episódios que fariam até roteirista de série política jogar a caneta no chão, o presidente Lula apareceu neste sábado (19) em modo “pai bravo da turma” para defender seus ministros do Supremo Tribunal Federal, depois que os Estados Unidos revogaram os vistos deles. Sim, você leu certo: os EUA decidiram que Alexandre de Moraes, Barroso, Toffoli, Zanin, Fachin, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Flávio Dino não são mais bem-vindos em solo americano.
O recado veio de Marco Rubio, secretário de Estado da gestão Trump 2.0, que usou as redes sociais para anunciar o corte — sem cerimônia, sem “por favor”, sem dó. E mais: disse que Moraes transformou o STF numa máquina de censura que ultrapassou até as fronteiras brasileiras. Resultado? Passaporte carimbado para fora. E com urgência.
Lula, naturalmente, não gostou. Chamou a decisão de “arbitrária, sem fundamento” e fez questão de deixar registrado seu protesto em nome da soberania nacional. “Nenhuma ameaça vai comprometer a missão das instituições brasileiras”, escreveu. Aparentemente, a missão em questão é seguir blindando os amigos do rei enquanto o Brasil arde em polarização, impunidade e Pix milionário.
A Casa Branca, por ora, segue firme em sua decisão. E olha que essa não foi a única cutucada na diplomacia: Trump já havia avisado que vai taxar em 50% os produtos brasileiros e que está investigando o uso do Pix, que para eles virou sinônimo de “barreira injusta” às exportações americanas. Se continuar assim, vai faltar ar para tanta crise no Palácio do Planalto.
É claro que a reação do governo brasileiro foi montar uma reunião emergencial com o chanceler. Mas o estrago já estava feito. Afinal, quando o país que se autoproclama guardião da democracia manda embora um punhado de juízes por excesso de autoritarismo, talvez seja hora de parar de acusar os outros e começar a olhar no espelho.
A cereja do bolo? Até agora, nenhum ministro do STF teve coragem de se pronunciar diretamente. Mas Lula está lá, tentando salvar o que pode da imagem internacional de seus aliados togados — como um pai defendendo o filho bagunceiro que foi suspenso da escola por morder a professora.
Se vai colar, é outra história. Porque, cá entre nós, chamar de “inaceitável” uma medida de um país soberano — exatamente o que Lula diz defender — parece mais ironia do que argumento. E, no fim das contas, o que os americanos deixaram bem claro é: censura aqui não tem vez. Nem de toga.