
Depois do escândalo Master, BRB recua e corta patrocínio milionário à equipe de vela
Banco de Brasília revê gastos, cancela apoio de R$ 26 milhões e promete voltar às origens como instituição regional
O Banco de Brasília (BRB) decidiu puxar o freio. Em meio à crise desencadeada pelo caso Banco Master, a nova direção da instituição resolveu revisar contratos e cortar despesas que já não combinam com o discurso de prudência adotado após o escândalo. Entre os alvos do pente-fino está um patrocínio de peso: R$ 26 milhões destinados à equipe Mubadala Brazil SailGP Team, na liga internacional de vela SailGP, entre 2025 e 2027.
A decisão marca uma mudança clara de rota. O banco, que nos últimos anos buscou projeção nacional e ampliou significativamente seus gastos com marketing e patrocínios, agora sinaliza retorno ao foco regional, concentrando esforços no Distrito Federal.
A equipe patrocinada reúne nomes de destaque, como a campeã olímpica Martine Grael — primeira mulher a comandar um barco na competição — além de Marco Grael e Mateus Isaac. O circuito da SailGP passa por países como Nova Zelândia, Austrália, Espanha, Emirados Árabes e também pelo Brasil, com etapa no Rio de Janeiro. Era uma vitrine internacional — e cara.
A revisão acontece após o afastamento do ex-presidente do banco, Paulo Henrique Costa, em decorrência da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. A investigação apura supostas irregularidades envolvendo carteiras de crédito e operações relacionadas ao Banco Master.
Desde a liquidação do Master, em novembro, o BRB enfrenta uma crise de confiança. A revelação de que o banco estatal adquiriu R$ 12,2 bilhões em créditos considerados inexistentes agravou a situação. Para conter problemas de liquidez, a instituição precisou vender R$ 5 bilhões em ativos.
O novo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, afirma que é hora de “dar um passo atrás para voltar mais forte”. Na prática, isso significa abandonar a estratégia de expansão nacional e retomar o papel tradicional de banco de desenvolvimento regional.
Os números ajudam a entender o ajuste. Durante a gestão do governador Ibaneis Rocha (MDB), os gastos com eventos e apoios comerciais cresceram de forma exponencial. Em 2019, primeiro ano do atual governo, o banco destinou R$ 7,2 milhões a patrocínios. Em 2025, esse valor saltou para R$ 125,8 milhões — um aumento de quase 14 vezes. Há uma década, o gasto anual girava em torno de R$ 1 milhão.
A reavaliação dos contratos, portanto, não é apenas simbólica. É um movimento estratégico para tentar reconstruir credibilidade em meio à turbulência financeira.
O BRB agora tenta equilibrar as contas e, principalmente, a imagem. Depois de mirar o mundo, o banco parece decidido a olhar novamente para casa.