
Deputado Lucas Bove é denunciado pelo MP e pode ser preso por descumprir medidas protetivas contra ex-esposa Cíntia Chagas
O Ministério Público acusa o parlamentar de perseguição, violência psicológica e ameaças; Cíntia, que o denunciou há mais de um ano, diz confiar na Justiça e pede que outras mulheres não se calem diante da violência.
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou o deputado estadual Lucas Diez Bove (PL) por perseguição, violência psicológica, violência física e ameaça contra sua ex-esposa, a influenciadora Cíntia Chagas. Além da denúncia, o órgão pediu à Justiça a prisão preventiva do parlamentar, alegando que ele reiteradamente descumpriu medidas protetivas determinadas pela Justiça.
Cíntia, que tem mais de 7,6 milhões de seguidores nas redes sociais, denunciou o ex-marido no ano passado e relatou uma série de abusos físicos e emocionais durante o relacionamento de mais de dois anos.
🚨 Desrespeito às ordens judiciais
De acordo com o MP, Lucas Bove tem ignorado as determinações da Justiça “de forma cada vez mais ostensiva”, demonstrando um “claro desprezo pelas restrições impostas”.
O documento afirma que, há cerca de um ano, o deputado vem desrespeitando as medidas protetivas, mesmo após intimações e advertências pessoais. A promotoria destaca que ele tem plena consciência das ordens, mas age como se estivesse acima da lei, acreditando que não enfrentará consequências.
Advogados da influenciadora teriam notificado a Justiça diversas vezes sobre os descumprimentos, apresentando provas, datas e postagens em que o parlamentar fazia menções diretas e indiretas à ex-esposa, mesmo estando proibido de citá-la publicamente.
Com o tempo, segundo o MP, as postagens de Bove se tornaram mais agressivas, expondo Cíntia ao ridículo e colocando em dúvida sua palavra, o que teria causado sofrimento psicológico e revitimização.
💬 “A violência contra a mulher é uma afronta à dignidade humana”
Em nota, Cíntia Chagas disse ter recebido a decisão com “serenidade e confiança na Justiça”.
“É moralmente inaceitável que agressores de mulheres continuem ocupando cargos de poder. A violência contra a mulher é crime e afronta à dignidade humana. Que a lei siga o seu curso. Às mulheres que passam por isso, eu digo: não se calem. O silêncio protege o agressor.”
A advogada Gabriela Manssur, que representa Cíntia, elogiou a atuação do MP e classificou a denúncia como um marco na luta das mulheres por justiça.
“A denúncia representa um passo essencial para reafirmar que ninguém — nem mesmo um deputado — está acima da lei. A Justiça existe para proteger as vítimas e responsabilizar quem abusa do poder para oprimir.”
⚖️ Histórico de abusos e ameaças
O caso não é novo. Em 2024, a Justiça já havia concedido medidas protetivas a Cíntia, após ela relatar ter sido ameaçada, chantageada e controlada durante e após o relacionamento.
Em setembro deste ano, o parlamentar foi indiciado pela Polícia Civil por perseguição e violência psicológica. O relatório de 60 páginas da investigação aponta que Bove teria ameaçado “acabar com a carreira” da ex-esposa e até planejado divulgar vídeos íntimos para prejudicar sua imagem.
Testemunhas, incluindo a assessora de Cíntia, confirmaram episódios de controle e menosprezo, além de mensagens enviadas de números da Assembleia Legislativa, usadas para pressionar a influenciadora durante o processo de separação.
🧱 O que o Ministério Público pede
O MP entende que as medidas atuais não garantem mais a segurança da vítima e pede à Justiça que decrete a prisão preventiva do deputado.
Segundo a promotoria, as atitudes de Bove demonstram alto grau de reprovabilidade, e a continuidade de seus atos representa um risco real à integridade psicológica e emocional de Cíntia.
A defesa do deputado afirmou, em nota, que não vai se manifestar sobre a denúncia e acusou Cíntia de “distorcer a verdade” e “divulgar informações sob sigilo judicial”.
O caso expõe novamente a fragilidade da proteção às mulheres vítimas de violência, especialmente quando o agressor ocupa cargos de poder. Para Cíntia e tantas outras, a luta é a mesma: transformar dor em coragem — e o medo, em voz.