
Dinheiro, jatinho e silêncio: elo entre “Careca do INSS” e senador levanta suspeitas
Transferência milionária e uso de aeronave por Weverton ampliam dúvidas sobre conexões ocultas no escândalo
As engrenagens do escândalo envolvendo o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o conhecido “Careca do INSS”, continuam revelando ligações que, no mínimo, causam desconforto. Um novo elemento veio à tona: um repasse de R$ 1 milhão feito pelo lobista à empresária dona de um jatinho frequentemente utilizado pelo senador Weverton Rocha.
De acordo com investigações da Polícia Federal do Brasil, o pagamento levanta a suspeita de que o lobista possa ser um sócio oculto da aeronave — embora seu nome não apareça formalmente como proprietário. Como se isso já não fosse suficiente para acender o alerta, há registros de que ele também bancou despesas de manutenção do mesmo avião.
A aeronave, avaliada em cerca de R$ 2,8 milhões, está registrada em nome de uma empresa ligada à empresária Joelma dos Santos Campos. Nos bastidores, porém, o que chama atenção é a rede de relações ao redor do caso. O marido da empresária, Erik Marinho, transita no meio político e tem ligação com aliados do senador, o que reforça ainda mais as suspeitas de uma teia pouco transparente.
O uso do jatinho por Weverton não é novidade — já havia sido exposto anteriormente. Imagens mostram o senador desembarcando da aeronave em Brasília em diferentes ocasiões, inclusive quando o “Careca do INSS” já era alvo de investigações por um esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários.
Mesmo diante disso, a resposta do senador foi evasiva. Ele afirmou que apenas pegava “carona” e que todas as questões deveriam ser direcionadas ao proprietário do avião. Uma explicação que, para muitos, soa mais como tentativa de se afastar do problema do que de esclarecê-lo.
Enquanto isso, documentos indicam que o próprio lobista utilizou o mesmo jatinho em viagens anteriores, partindo de aeroportos executivos em São Paulo. Ou seja, não se trata de um uso isolado — mas de um padrão que reforça a proximidade entre os envolvidos.
O caso ganhou ainda mais peso após uma nova fase da operação da Polícia Federal, que chegou a pedir a prisão do senador — negada posteriormente pela Procuradoria-Geral da República e pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Em depoimento, o “Careca do INSS” tentou minimizar a situação, alegando que o uso de voos privados é comum e intermediado por operadores do setor. Mas a explicação não elimina a principal dúvida: por que um investigado em um esquema bilionário mantém vínculos financeiros com a estrutura de um avião usado por um senador da República?
No fim, o episódio reforça uma sensação já conhecida pelo brasileiro: as conexões entre dinheiro, poder e influência continuam orbitando nos bastidores — muitas vezes longe da transparência que deveria ser regra, não exceção.
E, enquanto respostas concretas não aparecem, cresce a desconfiança de que há muito mais por trás desse voo do que simples coincidência.