Diplomacia da Omissão: Lula Fecha os Olhos para o Massacre no Irã

Diplomacia da Omissão: Lula Fecha os Olhos para o Massacre no Irã

Sob o discurso do “diálogo”, governo brasileiro relativiza repressão sangrenta e se distancia da defesa dos direitos humanos

A nota divulgada pelo governo Lula sobre a violenta repressão do regime iraniano contra manifestantes é mais um exemplo claro de como a diplomacia brasileira tem preferido a conveniência política ao compromisso moral. Diante de milhares de mortos, o Itamaraty limitou-se a dizer que acompanha a situação “com preocupação”, como se estivesse falando de uma crise abstrata — e não de um massacre em andamento.

O comunicado, além de curto, veio tarde. E pior: não traz qualquer condenação explícita ao regime dos aiatolás, responsável por executar, prender e silenciar civis que ousaram protestar contra a miséria econômica e a falta de liberdade. A linguagem adotada soa fria, burocrática e completamente desconectada da realidade nas ruas do Irã.

A crítica feita pela jornalista Thais Herédia, da CNN Brasil, expõe o absurdo da posição brasileira. Como falar em “diálogo pacífico” quando o Estado responde a protestos com balas, forcas e sentenças de morte? Que tipo de diálogo é possível quando jovens são executados por exercer o direito de se manifestar?

Enquanto diversas lideranças e governos internacionais condenaram abertamente a brutalidade do regime iraniano, o Brasil optou por um discurso neutro, quase cúmplice, insistindo que “cabe apenas aos iranianos decidir o futuro de seu país”. O problema é que os iranianos estão tentando fazer exatamente isso — e estão sendo mortos por isso.

O governo Lula também fez questão de destacar que não há brasileiros entre as vítimas, como se a ausência de nacionais mortos fosse suficiente para justificar o silêncio diante de uma tragédia humanitária. Direitos humanos não deveriam depender de passaporte.

Essa postura não surpreende. Ela segue um padrão já conhecido de complacência do atual governo com regimes autoritários, especialmente aqueles alinhados ideologicamente ou estrategicamente ao Planalto. A defesa abstrata da soberania, nesse contexto, serve apenas como escudo para evitar críticas a governos que desprezam liberdades básicas.

Ao escolher palavras mornas e um tom evasivo, o governo Lula não apenas falha em liderar moralmente — ele se omite. E, diante de um massacre, omissão não é neutralidade: é alinhamento silencioso com o opressor.

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