
Direita ocupa a Paulista em ato contra Lula e STF e transforma manifestação em vitrine política nacional
Com Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira, Zema e Caiado, protesto vira demonstração de força e união da direita
A avenida Avenida Paulista será palco, neste domingo (1º), de mais uma grande mobilização da direita brasileira. Batizado de “Acorda, Brasil”, o ato está marcado para as 14h e promete reunir milhares de pessoas em protesto contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e contra a atuação de ministros do Supremo Tribunal Federal, especialmente Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
Entre os nomes confirmados estão o senador Flávio Bolsonaro, o deputado federal Nikolas Ferreira e os governadores Romeu Zema e Ronaldo Caiado. A presença desse grupo reforça o peso político do evento e sinaliza que a manifestação vai além do protesto: é também um ensaio eleitoral.
Nikolas Ferreira, um dos principais responsáveis pela convocação do ato, terá uma agenda intensa. Ele participa pela manhã de uma manifestação em Belo Horizonte e, em seguida, embarca para São Paulo para discursar na Paulista, movimento que simboliza o esforço de mobilização nacional da direita.
A ausência mais sentida será a do governador paulista Tarcísio de Freitas, que cumpre agenda oficial em Frankfurt, na Alemanha. Ainda assim, aliados minimizam a falta e destacam que o núcleo duro da direita estará representado, com lideranças capazes de dialogar tanto com o eleitorado conservador quanto com setores mais amplos do centro-direita.
Do ponto de vista político, o ato é visto como um teste decisivo. Para Flávio Bolsonaro, em especial, o discurso na Paulista pode marcar um passo importante na construção de sua imagem nacional. Desde que foi lançado como pré-candidato pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, ele tem buscado se apresentar como um nome mais moderado, capaz de ampliar pontes sem romper com a base bolsonarista.
Deputados, senadores e lideranças estaduais de vários pontos do país são esperados no protesto, reforçando a ideia de que a direita tenta se organizar de forma mais estruturada para as eleições de 2026. Embora o foco declarado seja a crítica ao governo Lula e a ministros do STF, o pano de fundo é a disputa pelo Palácio do Planalto e pelo fortalecimento da bancada conservadora no Congresso.
Para apoiadores, a manifestação simboliza algo maior: a tentativa de dar voz a uma parcela do eleitorado que se sente ignorada pelo atual governo e insatisfeita com decisões do Judiciário. Para a direita, a Paulista deste domingo não será apenas um palco de protesto, mas um termômetro de força política — e, possivelmente, o início de uma nova fase de articulação nacional.