Direita ocupa as ruas no 7 de Setembro pedindo anistia e impeachment de Moraes

Direita ocupa as ruas no 7 de Setembro pedindo anistia e impeachment de Moraes

Em meio ao julgamento de Bolsonaro no STF, manifestações em várias cidades do país levantaram bandeiras contra Moraes e em defesa dos presos do 8 de janeiro

Sob o lema “Reaja, Brasil”, grupos de oposição e apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) realizaram, neste domingo (7), manifestações em dezenas de cidades brasileiras. As palavras de ordem foram duas: anistia para os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e impeachment do ministro Alexandre de Moraes, acusado pelos organizadores de abuso de poder e de ferir a democracia.

Este ano, os protestos ganham força em um cenário carregado: Bolsonaro é julgado no Supremo Tribunal Federal, denúncias contra Moraes vieram à tona após falas do ex-assessor Eduardo Tagliaferro, e a oposição tenta acelerar no Congresso a pauta da anistia.

Lideranças em destaque

Na Avenida Paulista, em São Paulo, o ato contou com presenças de peso: Michelle Bolsonaro, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em Belo Horizonte, a fala mais aguardada foi a do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Já em Brasília, a mobilização foi no estacionamento da Funarte, reunindo Damares Alves (Republicanos-DF), Izalci Lucas (PL-DF), Bia Kicis (PL-DF) e o ex-desembargador Sebastião Coelho (Novo-DF).

O pastor Silas Malafaia, um dos principais articuladores, classificou as manifestações como reação contra o que chama de “perseguição política” e defesa da liberdade.

Discursos inflamados

Flávio Bolsonaro chamou o ato de “grito de liberdade”, pedindo que apoiadores fossem às ruas “não só por Bolsonaro, mas por todos que sofrem com a tirania de poucos”. Já Sebastião Coelho criticou a proposta de “anistia light” articulada por Davi Alcolumbre (União-AP), que prevê redução de penas, mas exclui Bolsonaro e líderes da mobilização.

O deputado Ubiratan Sanderson (PL-RS) descreveu o 7 de Setembro como uma chance de mostrar repúdio a perseguições políticas, enquanto Rogério Marinho (PL-RN) defendeu que a data sirva para manter acesa a “chama da indignação” contra decisões judiciais.

O impacto político

Para analistas, o julgamento de Bolsonaro pode dar ainda mais fôlego aos atos deste ano, pressionando o STF e também o Congresso em torno da anistia. Alexandre Bandeira vê potencial de pressão política, enquanto o advogado André Marsiglia considera as manifestações um termômetro para medir a força da oposição junto ao Centrão.

Mesmo assim, especialistas avaliam que os atos dificilmente terão efeito direto sobre o julgamento de Bolsonaro. Ainda assim, o 7 de Setembro de 2025 assume peso extra: antecipando o clima eleitoral de 2026, a data virou palco de disputas que costumam aparecer apenas em anos de eleição.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags