
Dois pesos, duas medidas? Caso Collor volta à tona após prisão de Bolsonaro
Enquanto Bolsonaro é preso por suposta violação da tornozeleira, Collor ficou 36 horas desconectado — e Moraes não aplicou a mesma punição
A decisão do ministro Alexandre de Moraes de antecipar a prisão de Jair Bolsonaro caiu como uma bomba no cenário político — mas não apenas pelo ato em si. O que reacendeu o debate foi um contraste incômodo: seis meses atrás, o ex-presidente Fernando Collor de Mello passou 36 horas com a tornozeleira eletrônica desligada… e nada aconteceu. Nenhuma prisão preventiva, nenhum alarde. Apenas um pedido de explicação.
A justificativa atual de Moraes para prender Bolsonaro foi justamente a tentativa de violação do dispositivo durante a madrugada deste sábado. Já no caso de Collor, relatado em maio, o ministro — que era o mesmo relator — tratou o episódio como algo administrável.
O caso Collor: desconexão longa, repercussão tardia
Collor cumpre prisão domiciliar desde maio, após ser condenado a 8 anos e 10 meses por corrupção e lavagem de dinheiro. Dois dias depois de receber a tornozeleira, o equipamento ficou desligado por um período que ultrapassou 36 horas.
Somente meses depois, em outubro, um relatório da Secretaria de Ressocialização revelou o ocorrido.
A defesa do ex-presidente alegou que tudo não passou de uma falha acidental, justificando que Collor ainda estava “se adaptando”. Moraes, então, deu cinco dias para que a defesa se explicasse — e o caso não passou disso.
Nenhuma prisão. Nenhuma preventiva antecipada. Nenhuma operação ao amanhecer.
Defesa de Bolsonaro recupera o precedente
Diante da prisão de Bolsonaro, seus advogados foram rápidos: usaram o episódio Collor como argumento para pedir prisão domiciliar humanitária.
Paulo Cunha Bueno, que representa o ex-presidente, afirmou que as situações são semelhantes e destacou o estado de saúde delicado de Bolsonaro, agravado pelas sequelas da facada de 2018. A defesa diz que ele não poderia permanecer em um presídio sem risco à própria integridade.
O pedido insiste na coerência: se Collor ganhou tempo, explicações e tratamento brando, por que Bolsonaro não poderia receber o mesmo?