Dólar em Queda com Tarifas de Trump, Mas Retaliações Podem Virar o Jogo

Dólar em Queda com Tarifas de Trump, Mas Retaliações Podem Virar o Jogo

Moeda americana despenca, mas reação global pode reverter cenário e impactar Brasil

A decisão do governo de Donald Trump de impor novas tarifas comerciais gerou um efeito imediato nos mercados, levando o dólar a cair mais de 1,70% nesta quinta-feira (3). A moeda americana foi negociada a R$ 5,60 no início da tarde, acompanhando a queda nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA e uma onda de pessimismo nas bolsas globais.

O temor de que a medida protecionista cause um efeito cascata na economia mundial fez os investidores buscarem alternativas mais seguras, impulsionando outras moedas e pressionando os mercados de commodities.

Tarifas e Reações Internacionais

Diferente de uma política recíproca — em que os EUA aplicariam taxas iguais às que recebe —, o governo Trump decidiu mirar países com superávit comercial elevado com os Estados Unidos. As maiores sobretaxas atingiram produtos asiáticos e europeus: China, Vietnã e Taiwan enfrentam tarifas de até 30%, enquanto países como Alemanha e Irlanda foram taxados em 20%. A América Latina, por outro lado, recebeu tarifas mais leves, com o Brasil sendo taxado em 10%.

A decisão gerou reações imediatas. China e União Europeia prometeram retaliar os EUA, enquanto analistas alertam para um possível cenário de estagflação nos Estados Unidos — combinação de crescimento baixo com inflação alta. “As tarifas podem encarecer a produção nos EUA sem resolver os problemas estruturais da indústria americana”, alerta o economista Paulo Gala.

Impacto no Brasil e no Câmbio

Apesar de estar entre os países menos afetados pelo tarifaço, o Brasil não escapa das incertezas. A valorização momentânea do real pode não se sustentar, já que a economia global enfrenta um possível abalo. Além disso, setores exportadores brasileiros, especialmente do agronegócio, podem sofrer efeitos indiretos dependendo da resposta chinesa e europeia à nova política comercial dos EUA.

A reação do governo brasileiro veio rápido. O presidente Lula afirmou que “o Brasil respeita todos os países, mas exige reciprocidade” e garantiu que medidas de proteção à indústria nacional serão adotadas. O governo sinaliza que pode acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas impostas por Washington.

E Agora?

O cenário nos mercados ainda é incerto. Analistas apontam que as próximas horas serão decisivas, já que retaliações internacionais podem mudar rapidamente a dinâmica do câmbio. Enquanto isso, investidores seguem atentos aos desdobramentos da medida e às possíveis respostas da Casa Branca e de seus parceiros comerciais.

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