
Eduardo Leite critica silêncio imposto a Bolsonaro e alerta para riscos à democracia
Governador do RS diz que decisão do STF é “preocupante” e que restrições como tornozeleira e censura política criam precedentes perigosos
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), afirmou nesta terça-feira (22/07) que considera “preocupante” a decisão do Supremo Tribunal Federal que proíbe o ex-presidente Jair Bolsonaro de se manifestar em qualquer plataforma, inclusive por meio da imprensa. Em entrevista ao programa Contexto Metrópoles, Leite disse que, mesmo discordando das ações de Bolsonaro, “ninguém deveria comemorar a prisão de um ex-presidente”.
Para o governador, o uso de tornozeleira eletrônica e a imposição de silêncio absoluto equivalem, na prática, à prisão. Ele destacou ainda que a restrição é “difícil de ser aplicada” e levanta dúvidas quanto aos limites do que pode ser considerado manifestação política.
“Não dá para fingir que Bolsonaro não é uma figura política. Impedir qualquer manifestação é algo sério. O simples fato de ele aparecer em determinado lugar pode ser interpretado como posicionamento político. Isso abre precedentes perigosos”, afirmou.
Fux não é bolsonarista e sua posição merece atenção, diz Leite
Eduardo Leite também comentou a divergência do ministro Luiz Fux, do STF, que votou contra a imposição das medidas restritivas a Bolsonaro, como a tornozeleira eletrônica, a censura de declarações e o veto a se aproximar de embaixadas. Segundo Leite, Fux não é alinhado ao bolsonarismo, o que reforça a importância de avaliar com cautela o peso dessas decisões. “A posição dele não é partidária, mas uma reflexão institucional”, explicou.
Leite condena ações de Bolsonaro nos EUA, mas defende diálogo
O governador considerou inadmissível a tentativa da família Bolsonaro de pedir a Donald Trump que taxe em 50% os produtos brasileiros em caso de condenação do ex-presidente. Para Leite, isso é um ataque direto ao Brasil. No entanto, ele reforçou que as medidas judiciais precisam ser “bem calibradas” e preferencialmente decididas de forma colegiada, e não por decisões individuais.
“Estamos vendo uma reação à tentativa de coagir a Justiça brasileira, com pressão internacional e ameaças comerciais. Mas a resposta precisa ser ponderada, proporcional e discutida em conjunto pelos ministros”, declarou.
Leite critica falta de diálogo com governo Lula e sinaliza 2026
Durante a entrevista, Eduardo Leite também lamentou não ter sido procurado pelo governo federal para discutir os impactos econômicos das possíveis sanções dos EUA — mesmo o Rio Grande do Sul sendo o segundo estado com maior relação comercial com o país norte-americano, atrás apenas de São Paulo.
O governador reafirmou sua disposição de disputar a Presidência em 2026 e reforçou a necessidade de diminuir a polarização política no país. “O Brasil precisa voltar a conversar”, afirmou.