
Em meio à tragédia em Minas, Lula escolhe o palanque e culpa Zema em ano eleitoral
Presidente usa desastre na Zona da Mata para ataque político e ignora responsabilidade compartilhada diante de mais de 60 mortes
Após chuvas devastadoras na Zona da Mata mineira, Lula critica Romeu Zema por suposta falta de uso de verbas federais, gerando críticas sobre politização da tragédia em ano eleitoral.
Diante de uma das maiores tragédias recentes em Minas Gerais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva optou por transformar dor, luto e destruição em discurso político. Em vez de anunciar medidas emergenciais concretas ou assumir a responsabilidade conjunta entre União e estados, Lula direcionou críticas diretas ao governador Romeu Zema, acusando-o de não utilizar R$ 3,5 bilhões supostamente disponíveis para obras de prevenção a desastres.
A declaração ocorreu nesta sexta-feira (27), durante a 6ª Conferência Nacional das Cidades, em Brasília — longe da lama, das casas destruídas e das famílias soterradas da Zona da Mata. Segundo Lula, o governo federal teria feito sua parte, e caberia ao estado apresentar projetos para acessar os recursos.
“O que o governador tinha de fazer?”, questionou o presidente em tom retórico, prontamente respondido pelo ministro das Cidades, Jader Filho, que alegou ausência de projetos por parte da gestão mineira.
Tragédia real, discurso conveniente
Desde a madrugada da última segunda-feira (23), cidades como Juiz de Fora e Ubá enfrentam um cenário devastador. Chuvas intensas provocaram deslizamentos, alagamentos e a morte de mais de 60 pessoas, além de centenas de desabrigados.
Dados oficiais apontam que o orçamento do governo estadual destinado a obras de infraestrutura para enfrentamento de chuvas caiu drasticamente nos últimos anos. Ainda assim, especialistas e críticos apontam que usar números em meio ao luto coletivo soa menos como gestão e mais como cálculo político — especialmente em um ano pré-eleitoral, quando discursos ganham peso estratégico.
União lava as mãos?
Ao transferir integralmente a responsabilidade para o governo mineiro, Lula ignora que desastres climáticos têm dimensão nacional e exigem coordenação ativa da União, não apenas repasses condicionados a burocracia técnica. Em vez de anunciar força-tarefa, liberação emergencial de recursos ou ações imediatas de reconstrução, o presidente preferiu a narrativa do “eu fiz, ele não fez”.
A postura gerou críticas nos bastidores políticos e nas redes sociais, onde muitos questionam se aquele era o momento adequado para apontar culpados — ou se a prioridade deveria ser acolher vítimas, acelerar ajuda humanitária e evitar novas perdas.
Quando a tragédia vira discurso
Enquanto Minas chora seus mortos, o Planalto parece enxergar o desastre como oportunidade retórica. Em vez de união federativa, prevalece o embate político. Em vez de empatia, a cobrança pública.
No fim, fica a sensação amarga de que, mais uma vez, a tragédia não uniu o país — virou munição. E quem paga o preço não são os governantes em seus palanques, mas as famílias que perderam tudo sob a chuva, o barro e o descaso histórico do poder público.