
Encontro Trump-Putin no Alasca: bastidores e protagonistas das comitivas de EUA e Rússia
Primeiro encontro bilateral desde o início da guerra na Ucrânia coloca líderes frente a frente em base militar estratégica
Nesta sexta-feira (15), Donald Trump e Vladimir Putin se encontram no Alasca para a primeira cúpula bilateral entre Estados Unidos e Rússia desde que a guerra na Ucrânia começou, há mais de três anos e meio. A reunião acontece a partir das 16h, em uma base militar norte-americana que já foi utilizada para espionagem à antiga União Soviética, sem a participação do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.
As delegações que acompanham os dois líderes são compostas por figuras de alto escalão de seus respectivos governos, encarregadas de negociar possíveis passos para o cessar-fogo, depois de um encontro “a sós” entre Trump e Putin. Os nomes das comitivas foram confirmados pela Casa Branca, nos EUA, e pela agência estatal Tass, na Rússia.
Quem está com Trump no Alasca
- Marco Rubio: secretário de Estado e chefe da política externa dos EUA.
- Steve Witkoff: enviado especial de Trump para a guerra na Ucrânia, que se reuniu com Putin diversas vezes nos últimos meses.
- Howard Lutnick: secretário do Comércio, responsável pelas tarifas do governo Trump.
- Scott Bessent: secretário do Tesouro, cuidando das finanças do governo americano.
- John Ratcliffe: diretor da CIA, serviço secreto dos EUA.
- Além deles, Trump trouxe seu redator de discursos, Ross Worthington, o secretário Will Scharf e altos funcionários da Casa Branca, incluindo a chefe de Gabinete Susie Wiles, o diretor de Comunicações Steven Cheung e a porta-voz Karoline Leavitt.
Quem está com Putin no Alasca
- Yuri Ushakov: assessor principal de Putin.
- Sergey Lavrov: ministro das Relações Exteriores, responsável pela política externa russa.
- Andrey Belousov: ministro da Defesa.
- Anton Siluanov: ministro das Finanças.
- Alexander Darchiev: embaixador russo em Washington D.C.
- Kirill Dmitriev: CEO do Fundo Russo de Investimento Direto e encarregado de negócios de Putin.
O nível das autoridades russas que chegaram ao Alasca contrasta com as negociações diretas com a Ucrânia nos últimos meses, que contaram com delegações consideradas limitadas e resultaram apenas em trocas de prisioneiros, deixando evidente a distância entre os objetivos de cada país para encerrar o conflito.
Trump e Putin: um duelo estratégico
Donald Trump descreveu o encontro como “uma partida de xadrez”, resumindo o clima de cautela e tensão entre os dois países. Putin, por sua vez, afirmou que espera que a reunião possa selar a “paz mundial”, embora tenha deixado claro que isso dependerá de acordos sobre o uso de armas estratégicas, incluindo nucleares.
Será o primeiro encontro a sós entre os líderes desde 2018, quando Putin conseguiu convencer Trump a defender a versão do Kremlin sobre a interferência russa nas eleições americanas, contradizendo a própria CIA. A imprensa norte-americana observa que Trump, agora mais experiente e autoritário, pode apresentar uma postura mais firme diante do homólogo russo.
Apesar de críticas e ameaças trocadas nos últimos meses, ambos demonstraram otimismo cauteloso. Trump afirmou que acredita que Putin fará um acordo, mas ressaltou que “nada está garantido”, reforçando a ideia de que cada movimento nessa negociação será decisivo.