
Entre bolhas, inchaços e UPA: o outro lado da caminhada de Nikolas Ferreira até Brasília
Pés feridos, dores no joelho e até atendimento médico escancaram o custo físico da jornada de 240 km liderada pelo deputado
A caminhada de 240 quilômetros puxada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), rumo a Brasília, está longe de ser apenas um ato político. Iniciada na última segunda-feira (19), em Paracatu (MG), a chamada “Caminhada da Liberdade” vem revelando um lado pouco mostrado: o do desgaste físico extremo, da dor constante e das limitações do corpo diante do asfalto quente e dos dias seguidos de esforço.
Nas redes sociais, apoiadores e o próprio deputado passaram a compartilhar imagens que falam por si. Pés inchados, deformados, cheios de bolhas entre os dedos e joelhos inflamados viraram parte da rotina do grupo. Para tentar aliviar a dor e o calor, alguns improvisaram banhos de gelo usando caixas d’água à beira da estrada — um retrato cru da exaustão.
A mobilização tem como objetivo pressionar pela concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente detido na Papudinha. Mas, para quem decidiu acompanhar Nikolas a pé, a ideologia rapidamente dividiu espaço com o cansaço, a dor muscular e a necessidade de cuidados básicos.
“Minha saúde está bem. O problema é o pé, que chega bem diferente do normal, além de dores no joelho. Mas a dor de não fazer nada seria muito maior”, disse Nikolas em uma de suas postagens, tentando minimizar o impacto físico da jornada.
Baixa no grupo: Fernando Holiday precisa de atendimento na UPA
Nem todos conseguiram seguir até o fim. O ex-vereador Fernando Holiday precisou interromper a caminhada após sentir fortes dores no joelho. Ele buscou atendimento médico na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Cristalina, em Goiás, tornando-se a baixa mais simbólica do grupo até agora.
Mesmo fora do percurso, Holiday afirmou que a vontade de continuar segue intacta. “Infelizmente, hoje o corpo não aguentou. Mas, seja a pé, de muletas ou até de cadeira de rodas, eu volto para o campo de batalha”, escreveu nas redes sociais.
Cansaço, chuva e quilômetros acumulados
Até a tarde desta quinta-feira (22), cerca de 144 quilômetros já haviam sido percorridos — pouco mais de 60% do trajeto total. A rotina é pesada: longas horas de caminhada, paradas rápidas em postos de combustível e fazendas para descanso, higiene improvisada e noites mal dormidas.
Nesta sexta-feira (23), o grupo retomou a caminhada a partir de São Bartolomeu, a cerca de 40 km de Luziânia (GO), sob chuva, o que deve tornar o percurso ainda mais desgastante.
Nikolas também usou as redes para rebater críticas de que estaria completando trechos de carro. “Para quem acha que estamos pegando veículo, fica o convite: vem caminhar com a gente e conferir”, provocou.
A expectativa é que o grupo chegue a Brasília no próximo domingo, quando está prevista uma manifestação ao meio-dia, na Praça do Cruzeiro. Até lá, a caminhada segue acumulando não só quilômetros, mas também bolhas, dores e relatos que mostram que, fora dos discursos, o corpo cobra seu preço.