Entre o Centrão e o Planalto: Fufuca desafia o PP e segue colado em Lula

Entre o Centrão e o Planalto: Fufuca desafia o PP e segue colado em Lula

Mesmo sob ordem de deixar o governo, o ministro do Esporte — e fiel aliado do PT — ignora a pressão do próprio partido e embarca ao lado de Lula para o Maranhão.

O ministro do Esporte, André Fufuca (PP-MA), parece ter escolhido o campo onde prefere jogar — e, por enquanto, ele veste a camisa do time do PT. Mesmo sob forte pressão do seu partido, que exigiu a entrega de todos os cargos até o último domingo, o maranhense embarcou nesta segunda-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para Imperatriz (MA), onde participam da entrega de 2,8 mil casas do programa Minha Casa, Minha Vida e da assinatura de uma nova Arena Brasil, dentro do Novo PAC Seleções.

A cena de Fufuca ao lado de Lula, sorrindo e cumprimentando eleitores, é um recado claro ao comando do PP, especialmente ao presidente nacional da legenda, Ciro Nogueira, que ameaçou tirar o controle do diretório estadual das mãos do ministro se ele não deixasse o cargo. Fufuca, no entanto, preferiu apostar na proximidade com o Planalto — e no carisma presidencial como escudo político.

Nos bastidores, o movimento foi lido como um ato de resistência e sobrevivência. Fufuca, que já vinha articulando nos corredores de Brasília para ajudar o governo em votações importantes, mostrou que ainda tem influência no Congresso e que não pretende sair pela porta dos fundos.

O caso do ministro lembra o de Celso Sabino (União Brasil), que também decidiu ignorar a pressão do partido e permanecer no comando do Turismo, arriscando até uma expulsão. Ambos acreditam que Lula não fará substituições imediatas, especialmente em um momento em que o governo tenta manter pontes com o Centrão para garantir estabilidade no Congresso.

A aposta é arriscada, mas estratégica. Tanto Fufuca quanto Sabino miram as eleições de 2026, nos seus respectivos estados, e sabem que uma ruptura agora poderia enfraquecer suas bases locais.

Enquanto isso, no Planalto, a ordem é não esticar a corda. Assessores de Lula defendem manter o diálogo aberto — afinal, em Brasília, até os “rebeldes” podem ser úteis, especialmente quando o governo precisa de votos.

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