
Erika corre à PGR enquanto o país pega fogo — e mira Nikolas e Flávio
Deputada que virou celebridade política troca prioridades nacionais por cruzada ideológica após posts nas redes sociais
Em mais um capítulo da política de espetáculo, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) decidiu levar à Procuradoria-Geral da República uma representação criminal contra os parlamentares Nikolas Ferreira (PL-MG) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O motivo? Postagens nas redes sociais feitas após a operação dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura de Nicolás Maduro.

Segundo Erika, as manifestações dos congressistas configurariam apologia a golpe de Estado e representariam uma ameaça direta ao Brasil. A deputada afirma que agiu em defesa da soberania nacional — ainda que o país enfrente problemas bem mais concretos e urgentes fora do X (antigo Twitter).
Da internet direto para a PGR
As publicações de Nikolas e Flávio, que ironizaram o presidente Lula e comentaram a ação americana na Venezuela, foram suficientes para que Erika acionasse a mais alta instância do Ministério Público. Para a deputada, os posts ultrapassaram o limite da crítica política e colocariam o Brasil sob risco de intervenção estrangeira — uma leitura que críticos classificam como exagerada e conveniente.
A iniciativa gerou reações imediatas. Nas redes, muitos apontaram que a parlamentar parece mais preocupada em patrulhar opiniões alheias do que em apresentar soluções concretas para os problemas do país. Outros ironizaram o fato de que, em meio a crises econômicas, sociais e institucionais, a prioridade foi transformar memes e provocações políticas em caso de polícia.
Militância institucionalizada
Erika Hilton justificou a ida à PGR dizendo que não poderia “normalizar” discursos que, segundo ela, atentam contra a democracia. Para seus opositores, no entanto, o episódio reforça a imagem de uma política mais focada em gestos simbólicos, engajamento digital e embates ideológicos do que em resultados práticos para a população.
A crítica ganha ainda mais força diante da percepção de que o Congresso tem sido usado como palco para disputas performáticas — onde denúncias se multiplicam, mas soluções escasseiam. Enquanto isso, temas como inflação, segurança, saúde e desemprego seguem à margem do debate.
Muito barulho, pouca substância
Ao transformar comentários políticos em denúncia criminal, Erika Hilton entra para a lista de parlamentares que preferem o caminho da judicialização constante da política. Para seus críticos, trata-se menos de defesa da democracia e mais de protagonismo midiático — daqueles que rendem manchetes rápidas, mas pouco contribuem para o país real.
Resta agora saber se a PGR dará seguimento ao pedido ou se o episódio ficará restrito ao noticiário e às redes sociais, onde, ao que tudo indica, foi pensado para repercutir desde o início.