Esquema ligado à ex-nora de Lula mirava lucro com materiais para crianças autistas

Esquema ligado à ex-nora de Lula mirava lucro com materiais para crianças autistas

Investigadores dizem que grupo queria ampliar superfaturamento oferecendo “salas especiais” e kits para alunos com TEA — e que buscava abrir portas no MEC por meio de intermediários próximos à família Lula.

O escândalo que já apontava para desvios na compra de materiais escolares em cidades do interior paulista ganhou contornos ainda mais graves. Segundo o Ministério Público Federal, o grupo investigado pretendia expandir o suposto esquema para vender itens destinados a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A estratégia incluía comercializar “salas especiais” e kits com fones, mordedores e outros acessórios para redes municipais.

O caso envolve nomes próximos ao entorno familiar do presidente Lula. Entre os alvos da Operação Coffee Break, da Polícia Federal, estão Carla Ariane Trindade — ex-nora do presidente — e Kalil Bittar, ex-sócio de Lulinha. Mensagens anexadas à denúncia mostram conversas entre integrantes discutindo como levar o projeto “para cima”, ou seja, tentar fazer o Ministério da Educação abraçar a ideia e replicar o modelo no país inteiro.

O doleiro Eduardo Maculan teria apresentado a proposta no início do ano, chamando o plano de “oportunidade de negócio”. Em resposta, o empresário André Mariano — apontado como o articulador central do suposto esquema — celebrou ter “bons caminhos” dentro do MEC, comandado por Camilo Santana.

A PF afirma que Mariano pagava propina a pessoas influentes em Brasília para abrir portas e facilitar contratos. Carla Ariane e Kalil Bittar seriam os intermediários, conectando o grupo a gabinetes estratégicos. Em uma das mensagens citadas pelo MPF, Mariano descreve sem rodeios sua ambição: deixar de negociar com prefeituras, onde o retorno seria baixo, e alcançar a esfera federal — um salto do “varejo para o atacado”, nas palavras dele.

As investigações também revelam que o grupo já era suspeito de superfaturar livros e kits de robótica, vendendo produtos até 35 vezes acima do valor original. Somente com vendas a quatro prefeituras, a empresa de Mariano teria arrecadado R$ 111 milhões.

Outro ponto sensível: documentos mostram que o grupo buscava contatos no governo ainda no período Bolsonaro. Em 2023, Mariano e o doleiro Abdalla Dares teriam se reunido com o então ministro do Trabalho, José Carlos Oliveira, para discutir possíveis contratos federais — um diálogo que, segundo anotado em mensagem, teria aberto “caminhos” para novas negociações.

As defesas negam qualquer irregularidade. Os advogados de Kalil afirmam que ele não recebia “mesadas” e apenas prestava serviços à empresa. Já a equipe jurídica de Mariano sustenta que ele não tem relação com organização criminosa e promete apresentar explicações no processo.

Enquanto a investigação avança, o caso segue se expandindo — revelando não só um suposto esquema milionário, mas também a tentativa de transformar políticas voltadas a crianças com autismo em um negócio altamente lucrativo.

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