Estado de SP transforma bens de Marcola em recursos para segurança pública

Estado de SP transforma bens de Marcola em recursos para segurança pública

Programa Recupera SP reaproveita dinheiro do crime organizado para fortalecer policiamento e inteligência digital

Guilherme Derrite, secretário de Segurança Pública de São Paulo, detalhou como os recursos apreendidos de criminosos do Primeiro Comando da Capital (PCC) estão sendo usados para financiar políticas de segurança no Estado. Entre os bens confiscados, destacam-se a residência do líder Marcola em Alphaville, avaliada em R$ 3 milhões, e outros R$ 460 mil em dinheiro, que agora vão para a pasta.

Segundo Derrite, essa ação faz parte do programa Recupera SP, que pretende reaproveitar valores e propriedades provenientes do crime organizado para reforçar o trabalho da polícia. “Vamos usar o dinheiro da mulher do Marcola para investir em segurança pública”, afirmou.

O secretário destacou que a criminalidade mudou nos últimos anos, migrando em parte para o ambiente digital. Para acompanhar essa evolução, o Estado criou o Muralha Paulista, um sistema que integra câmeras e informações de centenas de municípios para monitorar pessoas procuradas, veículos roubados e atividades suspeitas. Hoje, 598 cidades estão conectadas, e a meta é expandir para todo o Estado.

Derrite explicou ainda que o sistema prioriza o anonimato e a segurança dos dados, com acesso hierarquizado e criptografado para impedir abusos. As informações alimentam políticas públicas como SP Mulher, SP Mobile e SP Vida, permitindo planejamento mais eficaz do policiamento, inclusive com o uso de inteligência artificial.

O secretário reforçou que, mesmo com avanços tecnológicos, a presença de policiais em operações de campo continua essencial. “A Rota evoluiu, mas ainda é necessária para cumprir mandados e realizar operações de inteligência”, disse, citando ações recentes de combate ao PCC.

Além disso, Derrite destacou que mais de R$ 21 bilhões em lavagem de dinheiro do crime organizado foram identificados desde 2023, e a expectativa é que o programa Recupera SP gere cerca de R$ 1 bilhão por ano para a segurança. Parte desses recursos é direcionada ao Ministério Público, reforçando a parceria histórica no combate ao crime organizado.

Por fim, Derrite sugeriu a criação de uma agência nacional antimáfia, nos moldes italianos, e reforçou que crimes graves, como o assassinato do delegado Ruy Ferraz Fontes, devem ser tratados com rigor máximo, equiparando-os a atentados terroristas para endurecer as punições e impedir o avanço de organizações criminosas no país.

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