
Estatais como prêmio político: Lula mantém aliado bem acomodado no comando de empresa federal
Fernando Pimentel é reconduzido à presidência da Emgea com salário elevado, reforçando críticas ao uso de cargos públicos como cabide de empregos
O governo Lula voltou a dar combustível às críticas sobre o uso das estatais como instrumento de acomodação política. O ex-governador de Minas Gerais Fernando Pimentel (PT) foi reconduzido ao cargo de diretor-presidente da Empresa Gestora de Ativos (Emgea), estatal federal responsável pela administração de bens e créditos da União. No posto desde 2023, ele seguirá no comando da empresa com uma remuneração bruta de R$ 53,2 mil mensais.
A recondução foi aprovada pelo conselho de administração da estatal em 24 de dezembro e oficializada por meio de publicação no Diário Oficial da União. A indicação partiu do Ministério da Fazenda, e o comitê interno da Emgea avaliou que Pimentel cumpria os requisitos formais para permanecer no cargo, sem impedimentos legais.
Com a decisão, Pimentel poderá ficar à frente da empresa até abril de 2027. A nomeação, no entanto, reforça a percepção de que o atual governo utiliza estatais como moeda de troca política, premiando aliados históricos com cargos bem remunerados, independentemente do histórico eleitoral recente. Pimentel, vale lembrar, tentou a reeleição ao governo de Minas em 2018 e terminou apenas em terceiro lugar.
A trajetória política do petista inclui passagens como prefeito de Belo Horizonte, ministro do Desenvolvimento e governador de Minas Gerais entre 2015 e 2018. Ainda assim, sua permanência em um cargo estratégico da administração federal é vista por críticos como mais um exemplo de aparelhamento do Estado, prática que o próprio PT dizia combater em outros governos.
Em vez de priorizar critérios técnicos amplamente transparentes e uma renovação na gestão pública, o governo Lula volta a apostar em nomes conhecidos do seu círculo político, alimentando a sensação de que as estatais seguem sendo tratadas como prêmios de fidelidade partidária — pagos, como sempre, com dinheiro público.