
EUA Fazem “Mágica Diplomática” e Apagam Moraes da Lista Magnitsky
Após meses de ataques, acusações e aperto diplomático, governo Trump decide retirar Alexandre de Moraes, sua esposa e até a empresa da família do rol de sancionados.
Numa reviravolta que parece mais um truque de prestidigitação diplomática, o governo dos Estados Unidos resolveu tirar Alexandre de Moraes — sim, o mesmo ministro do STF que vinha sendo alvo de críticas duríssimas de Washington — da lista de sanções da Lei Magnitsky. De quebra, a esposa dele, Viviane Barci de Moraes, e a empresa da família, a tal da Lex Institute, também foram “descondenadas” da lista.
As punições haviam sido aplicadas nos últimos meses, com direito a acusações de violações de liberdade de expressão, prisões arbitrárias e até uma suposta “caça às bruxas” conduzida pelo ministro. O próprio secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, chegou a pintar Moraes como uma espécie de xerife autoritário que acumulava os papéis de juiz, júri e carrasco.
Mas tudo mudou. De repente.
A Lex Institute — que os EUA descreviam como holding responsável por imóveis da família Moraes — também saiu da mira das sanções, como se o vento diplomático tivesse mudado de direção. Parece que o cenário ficou mais amistoso depois que Lula e Trump retomaram conversas diplomáticas e colocaram a relação bilateral de volta na mesa. Inclusive, Lula não perdeu tempo e classificou as sanções como “injustas”, enfatizando que o Brasil respeita o devido processo legal e que ninguém está sendo perseguido politicamente por aqui.
Ao que tudo indica, a conversa funcionou.
A Lei Magnitsky, usada para punir casos de corrupção e violações graves de direitos humanos, tem poder pesado: bloqueia bens, congela contas e proíbe a entrada de indivíduos sancionados nos EUA. Pois bem — Moraes, Viviane e a empresa agora estão livres disso.
Curioso, para não dizer irônico, que justamente a persona política mais polarizadora do Judiciário brasileiro tenha protagonizado um cabo de guerra diplomático que foi do “pária internacional” ao “perdoado oficial” em poucos meses.
Resta saber se essa mudança foi fruto de uma súbita iluminação política ou apenas mais um capítulo do manual realista das relações internacionais: hoje se critica, amanhã se negocia, e depois de amanhã se suspende a sanção — porque interesses mudam, governos mudam e pressões mudam.
O fato é que, com um simples ato administrativo, o que antes era retratado como um símbolo de autoritarismo vira, de novo, assunto interno brasileiro. E assim segue o xadrez geopolítico: peças se movem, mas nem sempre por razões que aparecem no tabuleiro.