
Ex-alto funcionário dos EUA acusa ministro do STF de “usurpar poder” e afasta diálogo entre Brasil e Washington
Christopher Landau, vice de Marco Rubio, critica Moraes sem citar nome e lamenta rompimento histórico entre Brasil e Estados Unidos
Christopher Landau, ex-vice-secretário de Estado dos Estados Unidos e braço direito de Marco Rubio, lançou duras críticas ao Supremo Tribunal Federal neste sábado (9/8). Sem mencionar diretamente o ministro Alexandre de Moraes, alvo de sanções do governo Trump, Landau afirmou que “um único ministro do STF usurpou poder” ao ameaçar autoridades do Legislativo e do Executivo brasileiro.
Em suas redes sociais, Landau escreveu que essa concentração autoritária é algo “inédito e anômalo”, destacando que o magistrado teria agido como um “usurpador ditatorial”, intimidando políticos e suas famílias com prisões e outras punições.
O americano também fez um apelo à retomada da “amizade histórica” entre Brasil e Estados Unidos, ressaltando que, enquanto é possível negociar com líderes eleitos dos poderes Executivo e Legislativo, o diálogo com um juiz que age fora da lei torna-se impossível.
“Estamos diante de um beco sem saída — o usurpador se esconde atrás do Estado de Direito, enquanto os demais poderes ficam impotentes para reagir”, disse Landau.
Essa declaração se soma a uma série de ataques já feitos contra o STF e Moraes, que é alvo da Lei Magnitsky — uma sanção que prevê bloqueio de bens e proíbe a entrada em solo americano.
As críticas do governo Trump têm relação direta com decisões do ministro em processos contra aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, especialmente ações que ordenaram a remoção de conteúdos bolsonaristas nas redes sociais.
No mesmo contexto, desde quarta-feira (6/8), os Estados Unidos passaram a aplicar uma sobretaxa de 50% sobre grande parte das exportações brasileiras, como parte de um pacote protecionista. Trump justificou essa medida alegando uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro promovida pelo STF.
O clima entre os dois países, portanto, se tensiona cada vez mais, deixando a relação bilateral em um momento delicado e cheio de desafios.