Ex-assessor de Moraes é indiciado por vazamento de mensagens do gabinete

Ex-assessor de Moraes é indiciado por vazamento de mensagens do gabinete

PF aponta violação de sigilo e possível tentativa de desestabilizar o Judiciário

A Polícia Federal indiciou Eduardo Tagliaferro, ex-chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pelo vazamento de mensagens de servidores ligados ao ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF) e no TSE. O perito é acusado de violação de sigilo funcional com prejuízo à administração pública.

Apesar da acusação, a defesa de Tagliaferro nega qualquer envolvimento no vazamento das conversas e contesta a investigação. “Esperamos que a Procuradoria-Geral da República analise a fragilidade do caso e não acolha as ilações contidas no relatório policial”, afirmou seu advogado, Eduardo Kuntz.

PF aponta tentativa de enfraquecer a imagem do STF

No relatório enviado ao STF nesta quarta-feira (2), a Polícia Federal sustenta que as mensagens obtidas durante a investigação comprovam o crime. O documento destaca que o objetivo da divulgação seria “desacreditar o Judiciário” e “comprometer a imparcialidade” dos ministros.

O próprio Alexandre de Moraes ordenou a abertura da apuração sobre a origem do vazamento. O caso foi vinculado ao inquérito das fake news, que investiga ataques coordenados contra o STF e outras instituições democráticas. Segundo a PF, há indícios de que o vazamento faça parte de uma estratégia mais ampla de desestabilização política.

Passado controverso e suspeitas sobre celulares

Tagliaferro já havia sido preso em flagrante em maio de 2023, acusado de violência doméstica, o que resultou em sua exoneração do TSE. Na ocasião, seu celular foi apreendido, mas posteriormente destruído e descartado por ele.

Outro ponto que levantou suspeitas foi o fato de que, ao ser intimado para depor na superintendência da PF em São Paulo, ele levou um celular que havia sido habilitado poucas horas antes do interrogatório. Os investigadores consideram essa atitude uma possível tentativa de ocultação de provas.

Diante das conclusões da PF, o ministro Alexandre de Moraes deu prazo de 15 dias para a Procuradoria-Geral da República se manifestar sobre o caso, decidindo se oferece denúncia contra Tagliaferro ou se solicita novas diligências.

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