
Ex-presidente do INSS recebeu R$ 4 milhões em propina, aponta investigação da PF
Pagamentos teriam sido feitos por associação investigada e ocultados por meio de empresas intermediárias
Uma investigação da Polícia Federal aponta que Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS, recebeu cerca de R$ 4 milhões em propina de uma das associações investigadas no esquema bilionário de desvios envolvendo descontos ilegais em aposentadorias e pensões. As apurações levaram à prisão de Stefanutto em novembro.
De acordo com os investigadores, os repasses partiram da Conafer e foram realizados de forma fracionada, com o objetivo de dificultar o rastreamento do dinheiro. Para isso, teriam sido usados escritórios de advocacia, uma imobiliária e até uma pizzaria como intermediários das transações financeiras.
Estratégia para ocultar recursos e driblar fiscalização
Segundo a Polícia Federal, o esquema envolvia o uso de empresas de fachada e contratos simulados para mascarar a origem ilícita dos valores. A pulverização dos pagamentos em diferentes canais é apontada como uma tentativa clara de lavagem de dinheiro e de ocultação patrimonial.
Os investigadores identificaram que os repasses ocorreram enquanto Stefanutto ocupava cargos estratégicos dentro da estrutura do INSS, período em que associações passaram a ter acesso facilitado a convênios que permitiam descontos automáticos diretamente na folha de pagamento de aposentados e pensionistas.
Descontos ilegais e prejuízo aos aposentados
A Conafer é uma das entidades investigadas por se beneficiar do sistema de descontos associativos, mecanismo que permitia cobranças mensais sem autorização expressa dos beneficiários. Milhares de aposentados relatam ter sido vítimas de cobranças indevidas, muitas vezes sem sequer saber que estavam vinculados a associações.
Para a PF, o pagamento de propina ao então presidente do INSS teria como objetivo garantir a manutenção e a expansão desse modelo, apesar das denúncias e dos alertas internos sobre irregularidades.
Prisão e avanço das investigações
A prisão de Alessandro Stefanutto, em novembro, marcou um dos momentos mais sensíveis da investigação, considerada uma das maiores já realizadas sobre fraudes no sistema previdenciário brasileiro. As autoridades apuram agora o envolvimento de outros servidores, dirigentes de entidades e possíveis padrinhos políticos que teriam dado sustentação ao esquema.
A Polícia Federal segue analisando documentos, movimentações financeiras e comunicações apreendidas para mapear toda a rede de beneficiários das propinas e dimensionar o impacto total dos desvios sobre os cofres públicos e sobre a renda de aposentados e pensionistas em todo o país.
O caso aprofunda a crise no INSS e reforça a pressão por mudanças estruturais no controle dos descontos associativos, além de responsabilização criminal dos envolvidos.