
Exausto e debilitado, Bolsonaro se afasta da vida pública: “Até falar ficou difícil”
Crises de vômito, soluços e recuperação lenta após cirurgia forçam repouso total em julho
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a enfrentar problemas de saúde e, desta vez, precisou suspender todos os compromissos previstos para o mês de julho. Segundo ele, uma nova sequência de crises de soluços, vômitos e dificuldades até para falar o levou a buscar atendimento médico de urgência. O diagnóstico: repouso absoluto por recomendação médica.
Inicialmente, Bolsonaro já havia cancelado sua participação em um evento do Partido Liberal em Brasília. Mas a decisão se estendeu para compromissos marcados em Santa Catarina e Rondônia. Foi seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), quem compartilhou nas redes sociais o comunicado assinado pelo pai:
“Após consulta médica de urgência foi-me determinado ficar em repouso absoluto durante o mês de julho. Do exposto ficam suspensas as agendas de Santa Catarina e Rondônia. Crise de soluços e vômitos tornaram-se constantes, fato que me impedem até de falar”, escreveu o ex-presidente.
Essa não foi a primeira vez que Bolsonaro teve crises semelhantes. No último dia 20 de junho, ele interrompeu um compromisso em Goiânia após apresentar os mesmos sintomas. Na ocasião, exames confirmaram um quadro de pneumonia viral. Na época, Bolsonaro chegou a relacionar os episódios à facada que sofreu em 2018, durante a campanha eleitoral:
“Uma coisa rara, ninguém consegue diagnosticar. Anos atrás já tive esse mesmo problema. Às vezes, fico 24 horas soluçando. É por causa da facada”, disse ele.
Mesmo com o histórico e as orientações médicas, o ex-presidente participou de um evento em Belo Horizonte no dia 26, ao lado de aliados como Nikolas Ferreira e Cleitinho. E no último domingo (29), mesmo debilitado, esteve presente em uma manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo.
A situação acendeu um alerta entre familiares e apoiadores. O vereador Carlos Bolsonaro desabafou nas redes sociais:
“Meu pai está literalmente se matando depois de terem tentado matá-lo. É realmente muita maldade o que fazem com ele”, escreveu, criticando a inércia de pessoas que, segundo ele, se dizem de direita, mas torcem pelo pior.
Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama, também divulgou o boletim médico assinado pelos médicos Claudio Birolini (cirurgião) e Leandro Echenique (cardiologista). O documento confirma que Bolsonaro ficará em casa durante todo o mês para uma recuperação completa.
O ex-presidente passou, em abril deste ano, por uma das cirurgias mais complexas desde o atentado, com 12 horas de duração para corrigir aderências intestinais e reconstruir a parede abdominal. Ele ficou internado por três semanas.
Agora, o foco da equipe médica é garantir que Bolsonaro consiga se recuperar plenamente — tanto das crises de saúde recentes quanto da cirurgia extensa —, já que a fragilidade física se agravou com o tempo. E, por ora, a política fica em segundo plano.