Fala de Lula sobre Ozempic gera indignação ao minimizar obesidade e culpar quem não consegue emagrecer

Fala de Lula sobre Ozempic gera indignação ao minimizar obesidade e culpar quem não consegue emagrecer

Durante evento no Rio de Janeiro, Luiz Inácio Lula da Silva critica uso do Ozempic e diz que pessoas precisam “tirar a bunda da cadeira”, ignorando que a obesidade é reconhecida como doença

Declaração presidencial provoca críticas e reacende debate sobre obesidade

Uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira (13) acabou gerando forte repercussão e críticas nas redes sociais e no meio médico. Durante um evento no Rio de Janeiro, o presidente comentou o uso do medicamento Ozempic — conhecido popularmente como “caneta emagrecedora” — e fez afirmações que muitos consideraram ofensivas para pessoas que lutam contra a obesidade.

Ao abordar o tema, Lula afirmou que o assunto é delicado e que os médicos precisam orientar corretamente os pacientes. Até aí, a observação parecia razoável. O problema veio logo depois, quando o presidente sugeriu que muitos procuram o medicamento sem mudar hábitos alimentares ou de vida.

Em sua fala, ele disse que não adianta querer emagrecer com injeções enquanto a pessoa continua comendo alimentos pesados várias vezes por dia. Em seguida, foi além e afirmou que quem quer perder peso “tem que aprender a tirar a bunda da cadeira e andar um pouco”.

A frase caiu como uma pedra no lago — e as ondas de indignação se espalharam rapidamente.

Obesidade não é apenas questão de “força de vontade”

Especialistas lembram que a obesidade é reconhecida pela medicina como uma doença crônica complexa, que envolve fatores metabólicos, hormonais, psicológicos e genéticos. Ela também está frequentemente associada a problemas como diabetes tipo 2, hipertensão e doenças cardiovasculares.

Nesse contexto, medicamentos como o Ozempic, que tem como princípio ativo a semaglutida, passaram a ser utilizados no tratamento médico da obesidade. A substância imita a ação do hormônio intestinal GLP‑1, ajudando a reduzir o apetite e melhorar o controle da glicose no sangue.

Ou seja, não se trata simplesmente de “preguiça” ou falta de caminhada — como muitos interpretaram na fala presidencial.

Evento no Rio também discutiu acesso ao medicamento

A declaração ocorreu durante a agenda de inauguração do Hospital do Andaraí, na capital fluminense.

Antes da fala de Lula, o prefeito da cidade, Eduardo Paes, mencionou a intenção de ampliar o acesso ao medicamento no sistema público de saúde. Segundo ele, a ideia é avaliar formas de disponibilizar tratamentos baseados em semaglutida para pacientes através do Sistema Único de Saúde.

A proposta reflete uma tendência global: vários países já discutem o uso desses medicamentos como parte do tratamento médico da obesidade.

Uma fala que simplifica um problema complexo

A repercussão negativa da declaração mostra como o tema exige cuidado. Reduzir a obesidade a uma simples questão de disciplina física ou alimentar ignora décadas de pesquisa científica.

Para quem convive diariamente com a doença, ouvir que basta “levantar da cadeira” pode soar não apenas simplista — mas profundamente desrespeitoso.

Em vez de contribuir para um debate sério sobre saúde pública, a frase do presidente acabou parecendo mais um julgamento apressado sobre um problema que atinge milhões de brasileiros. E quando o assunto é saúde, palavras têm peso — especialmente quando saem da boca do chefe de Estado.

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