
Família Cerca Bolsonaro de Cuidados e Refeições Caseiras Durante Prisão na PF
Em meio a tensão, irmão de Michelle assume a missão de levar comida ao ex-presidente, que vive dias de isolamento, rotina restrita e forte impacto emocional
Eduardo Torres, irmão de Michelle Bolsonaro, apareceu na Superintendência da Polícia Federal em Brasília neste domingo trazendo refeições preparadas especialmente para Jair Bolsonaro. Desde que foi preso por violar a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda, o ex-presidente tem evitado os alimentos fornecidos pela corporação e passado a se alimentar apenas de pratos enviados pela família e por auxiliares de confiança.
Torres é um dos poucos autorizados a entregar a comida — ao lado de Antonio Machado Ibiapina, ex-assessor da Presidência, e do tenente Kelso dos Santos. Bolsonaro vem seguindo um cardápio mais leve, com pouca gordura, seguindo recomendações médicas. Michelle, enquanto isso, cumpre agenda no Ceará.
Dentro da sala de 12 metros quadrados onde cumpre pena, Bolsonaro tenta montar uma rotina para não se perder no isolamento. Entre uma partida de futebol na TV aberta e um telejornal, ele passa o tempo com palavras cruzadas — hábito antigo que remonta aos anos 1970, quando chegou a ter mais de vinte cruzadinhas publicadas no Estado de S.Paulo. O livro de autoajuda “Metanoia — A chave está em sua mente”, levado por Flávio Bolsonaro, também virou companhia constante.
Mesmo assim, o impacto emocional da prisão é evidente. Horas após receber o filho mais velho, Bolsonaro desabou ao saber que a prisão cautelar se transformara em pena definitiva no processo do STF. As visitas da família — Michelle, Carlos, Flávio e Jair Renan — são os únicos momentos em que ele sai da sala e parecem ser o alívio mais concreto dos últimos dias.
As crises de soluço, que já vinham ocorrendo, pioraram na quinta-feira, levando a um atendimento médico dentro da própria cela. O episódio fez aliados retomarem a ideia de tentar uma prisão domiciliar.
Nos bastidores, a preocupação maior gira em torno da alimentação. Mesmo sem qualquer sinal de ameaça dentro da PF, apoiadores insistem na possibilidade de risco — inclusive envenenamento. Por isso, Bolsonaro só tem comido o que chega em recipientes preparados pela família: a famosa “quentinha da dona Michelle” ou os pratos levados por Eduardo Torres.
“Meu pai sempre teve cuidado com comida. A gente nunca sabe por onde passa, quem manipula”, disse Flávio Bolsonaro.
Apesar de tudo, houve um momento de respiro. Entre o choque e a readequação emocional, aliados comemoraram quando o ministro Alexandre de Moraes decidiu mantê-lo na sede da PF, afastando a chance de transferência para o Complexo da Papuda — considerado por eles um cenário muito mais duro.
Uma trégua mínima num capítulo que, para a família Bolsonaro, está longe de chegar ao fim.