
Família de Juliana Marins busca justiça além das fronteiras: caso pode chegar à Comissão Interamericana
DPU pede investigação da PF por omissão no resgate, e nova autópsia no Brasil pode abrir caminho para ação internacional
O corpo da publicitária Juliana Marins, de 26 anos, chegou ao Brasil nesta terça-feira (1º), mais de uma semana após sua morte trágica no Monte Rinjani, na Indonésia. O retorno, que simboliza o fim de uma espera dolorosa para a família, pode ser apenas o início de uma longa batalha por justiça — que pode atravessar oceanos e chegar até tribunais internacionais.
A Defensoria Pública da União (DPU) afirmou que, caso as autoridades brasileiras e os parentes da jovem desejem, o caso poderá ser encaminhado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), ligada à Organização dos Estados Americanos. Tudo dependerá do resultado de uma nova autópsia, solicitada pela família e autorizada pelo governo brasileiro.
“Estamos aguardando o laudo feito pelas autoridades indonésias. Com base nisso, e na nova necropsia, vamos avaliar os próximos passos junto à família. O que eles decidirem, estaremos aqui para apoiar”, afirmou Taísa Bittencourt, defensora regional de Direitos Humanos da DPU.
A primeira autópsia foi feita em Bali logo após o corpo ser retirado da trilha. Segundo o laudo divulgado por um legista indonésio, Juliana sofreu múltiplas fraturas e lesões internas e teria sobrevivido por cerca de 20 minutos após o impacto. A família, no entanto, foi surpreendida: o resultado foi divulgado à imprensa antes mesmo que os parentes tivessem acesso ao documento oficial.
“É revoltante. Fomos chamados ao hospital para receber o laudo, mas a imprensa teve acesso primeiro. Mais um absurdo entre tantos que estamos enfrentando”, desabafou Mariana Marins, irmã da vítima.
Diante das dúvidas e da sensação de descaso, a DPU acionou a Polícia Federal para investigar se houve omissão no socorro à brasileira por parte das autoridades locais. Caso seja comprovada a negligência, a CIDH poderá ser acionada formalmente para avaliar a responsabilidade do Estado indonésio.
Enquanto isso, o corpo de Juliana passará por um novo exame no Instituto Médico-Legal do Rio de Janeiro, poucas horas após sua chegada ao país. A perícia buscará confirmar o horário da morte e avaliar se houve falhas no resgate, algo que vem sendo apontado desde os primeiros relatos da tragédia.
Mesmo com a distância geográfica, o Código Penal brasileiro permite que crimes contra cidadãos nacionais, cometidos no exterior, sejam investigados e julgados aqui — com base no artigo 7º, que trata da jurisdição extraterritorial.
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos, com sede em Washington, atua na proteção de direitos humanos em todo o continente. Suas decisões não são juridicamente obrigatórias como as da Corte Interamericana, mas têm grande peso político e moral, podendo gerar pressão internacional e mobilizar a opinião pública.
Juliana, que estava em viagem turística, morreu após uma queda em uma das trilhas do Monte Rinjani. As investigações na Indonésia continuam, e o local já foi periciado por autoridades do país. Algumas testemunhas também foram ouvidas, mas a família segue cobrando explicações concretas.
Diante de tanto silêncio e burocracia, a busca por respostas agora pode ganhar eco fora do Brasil — impulsionada pelo amor de uma mãe, a dor de uma família e o clamor por justiça.