
Flávio Bolsonaro aposta em Pablo Marçal pra ganhar força nas redes e chegar na periferia
Aliados veem influenciador como atalho digital, mas alertam: pode ajudar ou atrapalhar
Aliados do senador Flávio Bolsonaro andam dizendo, nos bastidores, que Pablo Marçal pode ser aquela “carta escondida na manga” da campanha presidencial. A aposta é simples: o homem tem alcance nas redes, fala fácil com o povo e consegue chegar onde político engravatado costuma ter dificuldade — principalmente nas periferias.
Marçal, que ganhou fama na disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2024, é visto como alguém capaz de dar visibilidade rápida e barulho digital. Tem milhões de seguidores, sabe mexer com algoritmo e entende como pouca gente esse mundo virtual. Pra quem quer voto, isso hoje vale ouro.
Mas nem tudo são flores, não. Tem gente do próprio campo de Flávio que puxa o freio de mão. O histórico de polêmicas, provocações e exageros do influenciador pode acabar virando peso, ainda mais porque ele ficou inelegível depois da eleição municipal. E Flávio, que já carrega rejeição alta, precisa é diminuir desgaste, não aumentar.
A aproximação ficou clara quando o senador apareceu na empresa de Marçal, em Alphaville, depois de encontros com empresários em São Paulo. A ponte foi feita por Filipe Sabará, figura conhecida no meio político e que também ajudou a montar o plano de governo do influenciador em 2024.
Depois da visita, Marçal não economizou elogio. Disse que Flávio é o único Bolsonaro com “perfil de presidente” e afirmou que quer entrar de cabeça na campanha. Chegou a dizer que o senador tem “coração ensinável”, daquele jeito meio coach que já virou marca registrada.
A ideia é usar o discurso do empreendedorismo pra fisgar eleitor conservador das periferias — gente que muitas vezes vota na esquerda por causa de auxílio social, mas que também sonha em melhorar de vida. Marçal teve bom desempenho eleitoral justamente nessas regiões, especialmente na zona leste de São Paulo.
Mesmo assim, especialistas alertam: essa junção pode não ser o melhor caminho. Segundo analistas de marketing político, Marçal conversa praticamente com o mesmo público de Flávio. Pra furar a bolha e chegar de verdade na periferia, talvez fosse mais eficaz andar com líderes evangélicos, que têm menos rejeição.
Pesquisa recente mostra que mais da metade do eleitorado diz que não votaria em Flávio Bolsonaro de jeito nenhum. Isso pesa — e muito — na hora de atrair apoio do centrão e sonhar com vitória no segundo turno contra Lula.
Depois da aproximação, até o discurso do senador mudou um pouco. Ele passou a usar frases típicas de Marçal, falando em “virar a chave da prosperidade” e mudar a mentalidade de quem depende de programas sociais. Em um evento, chegou a orar no palco do influenciador, sendo aplaudido de pé.
Como se diz no Ceará: pode dar caldo, mas também pode azedar. A parceria promete barulho, mas o risco é alto. Agora é ver se essa mistura vira força eleitoral ou dor de cabeça política.