
Flávio Bolsonaro critica decisão de Alexandre de Moraes e sai em defesa do pai
Senador classifica negativa de domiciliar a Jair Bolsonaro como “atrocidade” e promete nova ofensiva no Supremo Tribunal Federal
A decisão que manteve o ex-presidente Jair Bolsonaro na Papudinha provocou reação imediata do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em tom contundente, ele classificou como “atrocidade” a negativa do ministro Alexandre de Moraes ao pedido de prisão domiciliar apresentado pela defesa.
Segundo o parlamentar, o entendimento do magistrado não estaria alinhado ao que ele considera aplicação justa da lei. Flávio argumentou que outros condenados já tiveram direito à domiciliar em circunstâncias que, na avaliação dele, seriam menos delicadas do que o quadro de saúde do pai. Como exemplo, mencionou o ex-presidente Fernando Collor, afirmando haver tratamento desigual.
O senador também rebateu a justificativa de possível risco de fuga. Para ele, se houvesse essa intenção, Bolsonaro não teria retornado ao Brasil após viagem aos Estados Unidos. Em suas palavras, a manutenção do ex-presidente na unidade prisional representa uma medida desproporcional diante da idade e das condições clínicas alegadas pela defesa.
Atualmente, Bolsonaro cumpre pena no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, após condenação a 27 anos e três meses no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado. A defesa sustenta que o ex-presidente apresenta comorbidades e sequelas cirúrgicas que exigiriam cuidados constantes fora do ambiente prisional.
Moraes, por sua vez, manteve o entendimento de que a estrutura da unidade oferece suporte médico adequado e apontou episódios anteriores, como a tentativa de violação da tornozeleira eletrônica, como fator que pesa contra a concessão do benefício.
Agora atuando também como advogado do pai, Flávio afirmou que novos pedidos serão protocolados no STF e garantiu que a família não pretende recuar na busca pela prisão domiciliar.
Nos bastidores da Corte, ministros demonstram resistência à mudança de regime, especialmente diante do histórico recente envolvendo o monitoramento eletrônico. O tema, contudo, segue no centro do debate político e jurídico, com desdobramentos que ainda podem ocorrer ao longo do ano.