Flávio Dino barra pedido de Cabrini para entrevistar Marcinho VP em presídio de segurança máxima

Flávio Dino barra pedido de Cabrini para entrevistar Marcinho VP em presídio de segurança máxima

Ministro do STF manteve a decisão que proíbe a entrada do jornalista no presídio, alegando motivos de segurança e negando que haja censura à imprensa.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, negou o recurso apresentado por Márcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, líder do Comando Vermelho, e pelo jornalista Roberto Cabrini, que buscavam autorização para gravar uma entrevista dentro da Penitenciária Federal de Campo Grande (MS).

O pedido havia sido rejeitado anteriormente pela 5ª Vara Federal de Campo Grande, e a dupla recorreu ao STF alegando que a negativa configurava censura.

Em sua decisão, Dino destacou que não houve qualquer tentativa de controle editorial ou de restrição à liberdade de imprensa. Segundo ele, a decisão apenas impediu a entrada do jornalista em um presídio de segurança máxima, uma medida fundamentada na necessidade de manter a ordem, a disciplina e a segurança internas, além de proteger o próprio detento contra exposição sensacionalista.

“A decisão de primeira instância não impôs censura, apenas zelou pela segurança do sistema prisional e pela estabilidade da execução penal”, afirmou o ministro.

Cabrini havia justificado o pedido dizendo que a entrevista serviria para que Marcinho VP pudesse esclarecer fatos já noticiados, especialmente sobre questões familiares e judiciais envolvendo seu filho, o rapper Oruam (Mauro Davi dos Santos Nepomuceno). O artista ficou mais de dois meses preso por suspeita de associação ao tráfico de drogas e envolvimento com a facção do pai.

Dino reforçou que a proibição da entrevista não impede reportagens sobre o caso, mas que a comunicação direta com presos de alta periculosidade representa risco à segurança pública.

“O indeferimento não configura censura prévia. Trata-se de uma medida legítima, considerando as peculiaridades do regime de segurança máxima e os riscos inerentes ao contato de líderes criminosos com o meio externo”, escreveu o ministro.

A decisão mantém o bloqueio à entrevista, encerrando — ao menos por ora — a tentativa de Cabrini de conversar com um dos nomes mais conhecidos do crime organizado brasileiro.

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