Fraude no INSS: Ministro acusa gestão Lula de “desligar os alarmes” contra irregularidades

Fraude no INSS: Ministro acusa gestão Lula de “desligar os alarmes” contra irregularidades

Wolney Queiroz afirma que sistema de controle interno foi silenciado em 2023 e 2024, permitindo avanço de esquema bilionário de descontos indevidos em benefícios

O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, fez uma grave denúncia durante o 20º Congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), em São Paulo. Segundo ele, os mecanismos internos que poderiam ter alertado sobre fraudes bilionárias no INSS foram deliberadamente desativados no início do governo Lula, o que impediu o ministério de ser avisado sobre os descontos irregulares em aposentadorias e pensões.

— Os alarmes internos foram desligados. Isso significa que os sistemas que poderiam alertar o ministério foram propositalmente calados — afirmou Queiroz, que assumiu o cargo em maio, substituindo Carlos Lupi.

Durante a sabatina, o ministro eximiu o ministério da responsabilidade direta pelas fraudes, alegando que o INSS possui corregedoria, ouvidoria, auditoria e controle interno independentes, que falharam em repassar as informações. Embora as irregularidades tenham começado em 2019, no governo Bolsonaro, Queiroz afirmou que o esquema se intensificou entre 2023 e 2024.

Ele apontou ainda que o primeiro alerta formal sobre os descontos indevidos ocorreu em uma reunião do Conselho Nacional de Previdência Social, em junho de 2023. Na ocasião, Queiroz, então secretário-executivo da pasta, afirmou ter confiado que a cúpula do INSS tomaria as medidas necessárias.

Envolvidos e CPMI

Ao falar sobre os responsáveis por “desligar os alarmes”, o ministro inicialmente evitou nomes, mas depois mencionou diretamente dois servidores de alto escalão do INSS: o ex-procurador-geral Virgílio Filho e o ex-diretor de benefícios Vanderlei Barbosa dos Santos, ambos afastados após o início da Operação Sem Desconto, que investiga o esquema.

Queiroz defendeu que ambos sejam convocados para depor na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigará o caso no Congresso. Ele afirmou que a comissão será uma oportunidade para mostrar que foi o atual governo quem identificou e começou a desmontar o esquema.

— Essa CPMI pode virar a chave na percepção pública. O governo atual foi quem começou a resolver o problema — declarou.

Ressarcimento e prejuízos

O governo iniciou nesta sexta-feira um acordo de ressarcimento para aposentados e pensionistas que foram vítimas dos descontos ilegais. A expectativa é que até 4 milhões de beneficiários recebam os valores de volta. Segundo a Polícia Federal, o total dos descontos entre 2019 e 2024 chegou a R$ 6,2 bilhões. Do montante fraudado, estima-se que R$ 3,2 bilhões foram efetivamente desviados — sendo R$ 2,6 bilhões já comprovados.

Para viabilizar os pagamentos, o STF autorizou uma abertura de crédito extraordinário por meio de medida provisória. Os valores começarão a ser pagos em 24 de julho. O governo também bloqueou R$ 2,8 bilhões em contas de associações suspeitas, o que pode ajudar no reembolso ao Tesouro.

Medidas preventivas e propostas futuras

Entre as ações anunciadas para evitar novos escândalos, estão a reestruturação da ouvidoria da Previdência, seminários internos sobre integridade, fortalecimento da inteligência institucional e execução de um Plano de Integridade.

Sobre o Projeto de Lei 1846/2025, que propõe acabar com os descontos automáticos em folha para associações e sindicatos, Queiroz revelou que não há consenso dentro do governo. Ele alertou que o fim desse modelo pode prejudicar entidades idôneas.

O ministro também comentou sobre o crédito consignado e disse estar em diálogo com a Febraban. Segundo ele, os dados apontam redução nas denúncias de assédio por parte dos bancos, mas uma varredura no setor continua em andamento.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags