
Funcionária fantasma? Mãe do rapper Oruam tem cargo público em Belford Roxo, mas não aparece há anos
Márcia Gama está lotada na Câmara Municipal desde 2011, em uma cidade marcada pela carência e abandono — mas sua presença no trabalho virou lenda urbana
Enquanto milhares de moradores de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, enfrentam o caos de uma cidade sem saneamento, transporte decente ou segurança, há quem esteja “lotado” no serviço público — mas só no papel. É o caso de Márcia Gama, mãe do rapper Oruam, que ocupa desde 2011 o cargo de técnica jurídico-legislativa na Câmara Municipal da cidade. O detalhe? Ninguém a vê por lá há anos.
Em uma cidade onde faltar ao trabalho costuma significar demissão na vida real, a ausência prolongada de Márcia passa despercebida (ou convenientemente ignorada) pelos gestores da Casa Legislativa. Não há registros de atuação dela, e os servidores e parlamentares da casa admitem, em off, que a funcionária não aparece para trabalhar.
Enquanto isso, Belford Roxo segue na lista das cidades mais pobres e com piores índices de qualidade de vida da Região Metropolitana do Rio. A população vive na pele a precariedade dos serviços, enquanto cargos como o de Márcia — que deveriam servir ao povo — viram símbolo da velha máquina de apadrinhamento.
É mais um caso em que o Brasil profundo mostra como a política ainda funciona para poucos: privilégios silenciosos sustentados pelo dinheiro público em lugares onde o povo mal tem água encanada. E o silêncio dos órgãos fiscalizadores diante de casos assim parece dizer tudo: a impunidade continua reinando, com ou sem holofotes.