
Gilmar Mendes nega conversas recentes com Bolsonaro, mas admite receber interlocutores de todos os lados
Ministro do STF se posiciona após mensagens atribuídas ao ex-presidente e reforça diálogo com diferentes forças políticas
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta segunda-feira (25/8) ter mantido conversas recentes com o ex-presidente Jair Bolsonaro. No entanto, afirmou que, ao longo do tempo, tem recebido interlocutores de diversos espectros políticos e se coloca como um ponto de diálogo aberto a todos.
A declaração surge após a divulgação de mensagens trocadas entre Bolsonaro e seu filho, Eduardo Bolsonaro, anexadas pela Polícia Federal em relatório que solicitou o indiciamento da dupla por tentativa de obstrução do julgamento da trama golpista. No material, Bolsonaro teria afirmado estar em contato com ministros do STF e pedido que Eduardo poupasse Gilmar de críticas.
“Não conversei com Bolsonaro recentemente, mas já tive diálogos com ele no passado e recebo representantes de todos os lados há muito tempo. Portanto, não houve conversa minha com o presidente agora”, afirmou Gilmar, em evento empresarial em São Paulo.
O ministro também comentou sobre a repercussão das mensagens, sugerindo que a orientação para que não fosse criticado poderia se dever ao seu papel de interlocutor neutro na política. Gilmar aproveitou para reforçar a importância da unidade da Corte e da institucionalidade, destacando a força do STF como uma das instituições mais respeitadas internacionalmente.
Em paralelo, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que tentará apresentar novo recurso ao TSE para devolver a elegibilidade a Bolsonaro em 2026, considerando que o ministro Kassio Nunes Marques, indicado por Bolsonaro, presidirá a Corte no próximo ano. Gilmar, porém, deixou claro que não comentaria sobre esse tema, ressaltando que a decisão sobre inelegibilidade do ex-presidente já transitou em julgado.