Gilmar segura extradição e barra embarque de mafioso italiano

Gilmar segura extradição e barra embarque de mafioso italiano

Decisão de última hora trava voo em Guarulhos e expõe mais um capítulo do “jeitinho jurídico” que sempre aparece na hora certa

O ministro Gilmar Mendes, do STF, mandou suspender na última hora o voo que levaria o italiano Marco Cadeddu de volta à Itália, onde ele seria extraditado. O embarque estava marcado para a noite desta segunda-feira (26), no Aeroporto de Guarulhos, mas foi interrompido após uma decisão liminar assinada poucas horas antes da decolagem.

E como sempre acontece nesses casos “urgentes demais”, a ordem veio no modo apaga-incêndio, deixando no ar aquela sensação de que, quando a justiça quer, ela corre… mas só pra alguns.

Quem é o italiano barrado no aeroporto?

Marco Cadeddu, de 45 anos, foi condenado na Itália em novembro de 2023 a 14 anos e 6 meses de prisão por crimes como:

  • tráfico de drogas
  • associação criminosa
  • receptação
  • lavagem de dinheiro

Ele é apontado como integrante de uma organização mafiosa que controlaria a distribuição de haxixe, cocaína e maconha na região de Cagliari, na Sardenha. O nome dele estava na lista da Interpol e ele acabou preso pela Polícia Federal em Camboriú (SC), em junho de 2024.

Ou seja: não é exatamente um “turista perdido” que entrou no Brasil por engano.

A defesa gritou “urgentíssimo” e o STF ouviu

A suspensão do embarque aconteceu porque os advogados do italiano apresentaram ao STF um pedido em caráter “urgentíssimo” — daqueles que aparecem quando o relógio já está quase estourando.

A defesa alegou que a extradição estaria sendo feita de forma clandestina, afirmando que:

  • a Itália ainda não teria garantido compromissos exigidos pela lei brasileira
  • o STF teria condicionado a extradição à conclusão de investigações e processos no Brasil

Com isso, Gilmar Mendes decidiu segurar a situação e interromper o embarque até que o caso seja melhor analisado.

Gilmar diz que não há impedimento total… mas suspende mesmo assim

Na decisão, o ministro reconheceu que não existe “impedimento absoluto” para extraditar Cadeddu. Inclusive, citou que o próprio STF já tem precedentes permitindo extradição mesmo antes do fim de processos no Brasil.

Mas, ainda assim, Gilmar concedeu a liminar alegando que havia:

  • urgência
  • risco de irreversibilidade (porque, depois que o sujeito embarca e some do país, não tem “Ctrl+Z”)

Resultado: o embarque foi barrado e o italiano ficou no Brasil aguardando nova decisão.

O que fica é a sensação de sempre

No fim das contas, o episódio deixa uma pergunta atravessada na garganta: por que esse tipo de “correria judicial” quase sempre aparece na hora H?

O sujeito é acusado de integrar máfia, condenado por tráfico e lavagem, estava na Interpol, foi preso pela PF… e mesmo assim o Brasil vira palco de mais um capítulo de burocracia e empurra-empurra.

A decisão pode até ser “técnica”, mas o cheiro é aquele de sempre: o sistema funciona, mas funciona arrastado — e com uma paciência infinita para criminoso internacional.

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